INTIMIDAÇÃO A JORNALISTA

ANJ exige investigação de dados vazados de Malu Gaspar, após plano de intimidação

Foto de Malu Gaspar em rede social.
Jornalista Malu Gaspar, alvo de suposta devassa em dados pessoais e financeiros.

Associação Nacional de Jornais repudia tentativa de devassa em informações pessoais e financeiras da jornalista Malu Gaspar, a pedido do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e do publicitário Thiago Miranda.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) solicitou, nesta sexta-feira, 02 de julho de 2026, a abertura de uma investigação sobre diálogos que revelam uma devassa nas informações pessoais e financeiras da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. A ação, que partiu de um pedido de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e contou com a participação do publicitário Thiago Miranda, dono da agência Mithi, visava interromper as apurações da repórter que envolviam a instituição bancária.

Obtidas pela Polícia Federal, as mensagens trocadas entre Vorcaro e Miranda indicam uma estratégia de intimidação ao trabalho jornalístico. A ANJ, ao receber a notícia, expressou sua "indignação" e classificou a conduta como "métodos mafiosos" para tentar silenciar a colunista, reforçando que tal atitude representa uma afronta ao livre exercício do jornalismo e à dignidade da profissional.

Em nota oficial, a entidade declarou: “Além de condenar com veemência a tentativa de intimidação ao livre trabalho jornalístico, a ANJ espera a imediata investigação sobre o acesso a dados pessoais da jornalista, que, como todos os cidadãos, deveria estar sob proteção legal dos órgãos oficiais e da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).” Os diálogos, extraídos do celular de Vorcaro, ocorreram entre março e abril de 2025 e foram divulgados pelo site Fatos On-line.

As conversas revelam um plano detalhado para silenciar a jornalista. Miranda mapeou transações financeiras e a renda média de Malu Gaspar a pedido de Vorcaro. Mesmo sem encontrar elementos comprometedores, o publicitário relatou a Vorcaro: “Realmente meu amigo, não tem absolutamente NADA”. Ainda assim, Miranda admitiu a necessidade de “arrumar uma forma de calar essa mulher”, cogitando até mesmo uma “proposta milionária” para contratá-la pela revista IstoÉ, pertencente ao Grupo Entre. Outra hipótese considerada foi uma oferta de trabalho para que Gaspar integrasse o Grupo Leo Dias, onde Miranda atuava como CEO até junho de 2025. Ambas as propostas não avançaram.

O jornal O Globo, em nota publicada na quarta-feira, 01 de julho de 2026, repudiou veementemente a devassa na vida da colunista, destacando que a ação, comprovada pelas mensagens, visava “calar a voz da imprensa” e expunha um “modus operandi do grupo criminoso”. A reportagem também mencionou outros episódios de perseguição a jornalistas ligados ao grupo de Vorcaro, como a suspeita de um mandante para um assalto simulado contra o colunista Lauro Jardim, também do O Globo.

Daniel Vorcaro encontra-se preso desde março de 2025, em decorrência da Operação Compliance Zero, que apura fraudes envolvendo o Banco Master. Anteriormente, Vorcaro contratara Miranda para gerenciar crises, e a agência Mithi foi responsável por promover ataques coordenados a órgãos como o Banco Central e seu ex-diretor Renato Gomes, por meio de contratos com influenciadores que somavam R$ 8 milhões. A maioria desses contratos foi encerrada após o início das investigações pela PF em janeiro de 2026.

O Poder360 buscou contato com a defesa de Vorcaro e com Thiago Miranda para manifestação sobre os diálogos, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso quaisquer declarações sejam enviadas.

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