SAÚDE PÚBLICA INTEGRAL

Ampliação do teste do pezinho no SUS avança com meta de diagnosticar 50 doenças raras

Equipamento laboratorial realizando análise de amostras de sangue para o teste do pezinho ampliado.
Teste do pezinho ampliado pode salvar vidas — Foto: Reprodução/TV Globo

Mesmo após cinco anos de vigência da lei, a implementação nacional do exame ampliado segue em etapas. Especialistas reforçam que diagnóstico precoce evita sequelas graves e gera economia aos cofres públicos.

A implementação da ampliação do teste do pezinho no SUS foi estabelecida pelo Ministério da Saúde para permitir a detecção de até 50 doenças raras em recém-nascidos, com o objetivo de garantir tratamentos precoces que evitem sequelas irreversíveis. Esta medida, que integra um cronograma de cinco etapas iniciado em 2022, possui um prazo final estipulado para 2030 em todo o território nacional, conforme definido na legislação vigente em 11/07/2026.

O impacto prático dessa política pública é imediato para famílias como a de Lucas, uma criança diagnosticada com atrofia muscular espinhal por meio do novo exame em um posto de saúde no interior de Minas Gerais. Graças à detecção antes do primeiro mês de vida, o tratamento foi iniciado prontamente. Vivian Aguiar, mãe do menino, afirma que a celeridade do processo foi determinante: 'Salvou a vida do meu filho. Com o teste do pezinho ampliado, a gente vai conseguir ter o nosso filho com o desenvolvimento adequado para cada etapa da vida dele.'

A urgência na execução do cronograma é defendida por especialistas como José Nélio Januário, diretor do Nupad (Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico da UFMG). 'Qualquer dia que você perde aí nessa trajetória, você está, de uma certa maneira, retardando a possibilidade dessa criança não ter sequelas. Porque essas doenças, particularmente as doenças da ampliação, elas provocam sequelas muito graves. O diagnóstico tem que ser realmente precoce, assim como o tratamento', alerta.

Além do benefício social, a expansão do rastreio neonatal apresenta viabilidade econômica. Dados do Ministério da Saúde obtidos via Lei de Acesso à Informação pelo Jornal Nacional demonstram que o tratamento antecipado de enfermidades, como a toxoplasmose congênita, gera uma economia anual de quase R$ 10 milhões para o Brasil. Rodrigo Arantes, médico geneticista da UFMG, explica que o diagnóstico tardio sobrecarrega o sistema: 'Esses pacientes, quando têm sequela, eles gastam mais do que ser diagnosticado precocemente. Porque eles não têm alta do SUS, porque eles vão ser acompanhados ao longo de toda a vida'.

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