AVIÃO E TAXAÇÃO
América Latina é campeã global em impostos na aviação, aponta Iata
Região aplica quase o dobro de impostos sobre passagens aéreas comparada à América do Norte. Iata critica reforma tributária no Brasil, prevendo queda na demanda.
A América Latina e o Caribe enfrentam a mais alta carga tributária do mundo sobre passagens aéreas. A declaração foi feita por Peter Cerda, vice-presidente regional da Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo) para as Américas. A afirmação ocorreu durante entrevista a jornalistas na manhã deste sábado, 06/06/2026, em antecipação à abertura da Assembleia Geral Anual da organização, realizada no Rio de Janeiro.
Peter Cerda detalhou que os impostos representam 29% do valor das tarifas aéreas na América Latina, um índice consideravelmente superior aos 15% praticados na América do Norte. Segundo ele, essa elevada tributação, combinada a um 'ambiente regulatório complexo', restringe a 'capacidade e infraestrutura' das empresas do setor aéreo.
'A aviação não é um luxo na América Latina e no Caribe. É um serviço essencial. A conectividade é crucial para a integração nacional. Não há alternativa viável que conecte as cidades em distâncias tão grandes', ressaltou o representante da Iata, enfatizando a importância do transporte aéreo para a região.
Reforma Tributária no Brasil
Cerda apontou o Brasil como um exemplo de mercado que pode ser negativamente impactado por novas taxas. A introdução do IVA (Imposto sobre Valor Agregado), proposto na reforma tributária brasileira, pode elevar a tributação do setor para 26,5%. A Iata estima que essa medida possa causar uma redução de cerca de 30% na demanda, afetando tanto o mercado doméstico quanto o internacional.
'Quanto mais alto o custo, menos passageiros e menos conectividade', alertou o executivo. Em contrapartida, a Iata mencionou Paraguai e Barbados como exemplos de sucesso na redução de impostos, o que resultou em aumento na procura pelo setor aéreo nesses países.

A entidade defende que a redução da carga tributária é um fator determinante para que a América Latina expanda sua participação no mercado global de aviação. Cerda projetou um crescimento médio anual de 3,7% na demanda na região até 2040, mas destacou que esse ritmo pode ser acelerado com políticas governamentais mais favoráveis ao setor.
A crítica à reforma tributária brasileira encontra eco em outros líderes do setor. Jerome Cadier, CEO da Latam no Brasil, já havia classificado as mudanças propostas como um 'desastre' para a aviação no país em abril de 2026.
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