SEGURANÇA DIGITAL INFANTIL
Ameaças de smart toys com IA exigem atenção redobrada aos dados infantis
Nota técnica da Secretaria Nacional de Direitos Digitais aponta riscos de privacidade e manipulação em brinquedos conectados, reforçando a necessidade de proteção legal.
A integração de inteligência artificial generativa em brinquedos criou robôs capazes de interações altamente realistas, mas a falta de cautela dos fabricantes está trazendo riscos inéditos para o ambiente doméstico. O alerta foi reforçado nesta segunda-feira, 13/07/2026, diante da crescente preocupação de órgãos de defesa do consumidor e especialistas em segurança.
Um exemplo notório foi o urso Kumma, que, segundo o PIRG Education Fund, chegou a dialogar com crianças sobre temas impróprios e perigosos, como o uso de facas e tópicos sexuais. O incidente motivou uma análise mais rigorosa sobre dispositivos que habitam a privacidade das famílias.
A Secretaria Nacional de Direitos Digitais publicou uma nota técnica em julho de 2026 avaliando seis produtos, incluindo o Loona, EMOPET-AI, Miko 3, Aibi Pocket Pet, Vector e o tablet Amazon Fire HD Kid Pro. Embora o documento não possua força de lei para proibir vendas, ele estabelece um marco interpretativo importante ao confrontar as funcionalidades desses objetos com o ECA Digital, a Lei Geral de Proteção de Dados e o Código de Defesa do Consumidor.
Os especialistas destacam que o maior perigo reside na coleta não transparente de dados biométricos e na manipulação emocional, uma vez que crianças tendem a projetar sentimentos humanos em máquinas. Diferente dos brinquedos de gerações passadas, como o Furby, que operavam com lógica interna, os smart toys atuais funcionam como vetores de vigilância conectados permanentemente à Internet.
Diante desse cenário, a recomendação para pais e responsáveis é de cautela absoluta: pesquisar rigorosamente as políticas de privacidade, configurar controles parentais e manter os dispositivos apenas em áreas comuns da casa, desconectando-os sempre que não estiverem em uso.
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