ALERTA COMERCIAL
Amcham alerta que tarifas sobre o Brasil aumentam dependência americana da China
Câmara de Comércio Americana argumenta que decisão do governo Donald Trump prejudica diversificação de fornecedores e fortalece a China, impactando relações bilaterais.
A Câmara de Comércio Americana no Brasil (Amcham) enviou um alerta contundente ao USTR (Escritório do Representante Comercial da Casa Branca) nesta segunda-feira, 06/07/2026. A entidade, que representa cerca de quatro mil companhias instaladas no Brasil, argumenta que a eventual aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos provocará um aumento significativo na dependência americana de fornecedores asiáticos, com destaque para a China, nos setores mais afetados. A decisão importa porque desequilibra relações comerciais bilaterais e contraria objetivos de resiliência e diversificação de cadeias de suprimentos de Washington.
Em documento encaminhado ao governo Donald Trump, a Amcham detalha como a China já domina mercados de produtos que estariam sob mira da Seção 301 contra o Brasil. Ao excluir os bens que já possuem exceção tarifária definida pelo próprio USTR, fornecedores chineses já detêm 52,1% das importações americanas nesses segmentos. Se somados os países da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), como Vietnã, Tailândia e Malásia, essa participação se eleva para impressionantes 83,9%.
"Esses fornecedores alternativos mantêm grandes superávits comerciais com os Estados Unidos. Ao elevar as tarifas sobre os produtos brasileiros acima das aplicadas à maioria dos concorrentes, a medida proposta continuará desviando o fluxo de compras do Brasil — um parceiro confiável que, historicamente, mantém uma relação econômica bilateral equilibrada com os americanos — para economias que contribuem significativamente para os desequilíbrios comerciais dos EUA", detalha a manifestação protocolada pela entidade.
Kristina Rosales, consultora com vasta experiência em Washington e ex-porta-voz do Departamento de Estado, representará a Amcham na audiência pública do USTR. Ela reforça o risco de a medida tarifária reforçar padrões de abastecimento que ampliam a dependência americana de fornecedores asiáticos, especialmente da China. "Esse resultado conflita com os objetivos mais amplos de Washington de fortalecer a resiliência das cadeias de suprimentos e diversificar as fontes de abastecimento em setores estratégicos", afirma.
A Amcham também aponta que o primeiro conjunto de tarifas impostas pelos Estados Unidos já causou uma redução significativa no comércio bilateral. Entre janeiro e maio de 2026, o fluxo de exportações e importações entre Brasil e Estados Unidos representou apenas 11,2% de todo o comércio brasileiro, uma queda em relação aos 13,8% registrados no mesmo período do ano anterior. O pico histórico foi em 2019, com 15,7% do intercâmbio comercial.
Diante desse cenário, a Amcham recomenda a busca por negociações diretas entre Brasília e Washington. A entidade sugere o aprofundamento de tratativas em áreas como propriedade intelectual, comércio eletrônico, cooperação regulatória e o fornecimento de minerais críticos, caminhos que poderiam fortalecer a parceria e diversificar as fontes de abastecimento de forma mútua e estratégica.
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