DINÂMICA DE ACIDENTE
Alta velocidade e mureta explicam queda de teto em pedágio de Campinas (SP)
Especialistas da Unicamp apontam que formato da barreira atuou como rampa após colisão em alta velocidade. Concessionária avalia danos à estrutura.
Uma tragédia ocorrida em Campinas (SP) levantou questionamentos técnicos sobre a segurança em praças de pedágio. No domingo (26), um motorista de 24 anos morreu após seu veículo colidir contra uma mureta de contenção e ser arremessado contra a cobertura da estrutura, provocando o desabamento de parte do teto.
Especialistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) analisaram as imagens da câmera de segurança que registraram o momento do acidente. De acordo com o professor do Departamento de Física Aplicada, Leandro Tessler, o formato da mureta, caracterizado por uma ponta em cunha e inclinação, funcionou como uma rampa diante da alta velocidade desenvolvida pelo carro.
"O que causou essa decolagem foi a ponta em cunha. Foi um monte de coincidências infelizes", afirmou Tessler. Ele ressaltou que, sem esse desenho específico, o impacto teria ocorrido de forma direta contra uma viga, o que também representaria um cenário de grande liberação energética.
A Renovias, concessionária responsável pela administração do trecho, informou que sua equipe de Engenharia monitora a integridade da estrutura desde o ocorrido e desenvolve estudos técnicos para a reconstrução da área. Na segunda-feira (27), a empresa atuou na reativação das cabines de cobrança.
O debate sobre a segurança viária foi ampliado pelo professor da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, Creso de Franco Peixoto, e pelo docente de Engenharia de Transportes, Luiz Vicente Figueira de Mello Filho. Embora as praças possuam proteções como faixas de indução de velocidade e pilares de sustentação, os especialistas sugerem que o episódio abre precedentes para discutir a instalação de terminais de absorção de energia.
Entretanto, os acadêmicos enfatizam que a engenharia possui limitações diante do excesso de velocidade. A prevenção, segundo os especialistas, permanece fundamentalmente ligada à responsabilidade do motorista, ao respeito às sinalizações e à fiscalização rigorosa dos limites de velocidade nas rodovias.
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