FRAUDE MILIONÁRIA

Alcolumbre trava CPMI do Banco Master e gera crise no Congresso

Flávio Bolsonaro, senador, em imagem que ilustra sua cobrança de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Flávio Bolsonaro cobra dinheiro de Vorcaro para filme sobre o pai, diz site.

Revelações sobre Flávio Bolsonaro impulsionam o pedido de investigação de R$ 12 bilhões em fraudes financeiras.

A exigência por uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master intensificou-se drasticamente nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026. A nova onda de pressão surge após a divulgação de revelações que apontam para uma ligação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro. Apesar do quórum legalmente exigido, o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), persiste em sua recusa de instalar o colegiado, uma decisão que remonta à última sessão conjunta, em 30 de abril de 2026. Essa postura tem impedido a apuração de um vultuoso esquema de fraudes financeiras, que pode alcançar R$12 bilhões e prejudicar milhares de aposentados e pensionistas, gerando sérias dúvidas sobre a transparência e a responsabilidade política no país.

As informações que agitaram o cenário político foram reveladas na última quarta-feira, 13 de maio de 2026, pelo portal Intercept Brasil. O site teve acesso a mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, além de um áudio enviado pelo senador ao banqueiro em setembro de 2025. No material, o senador chamava Vorcaro de "irmão" enquanto cobrava repasses de R$ 134 milhões, destinados a financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, encontra-se atualmente detido em Brasília. Ele é acusado de ser o mentor de um esquema bilionário de fraudes financeiras, cuja estimativa de prejuízo pode atingir a cifra de R$ 12 bilhões, conforme apuração da Polícia Federal (PF). As conexões políticas de Vorcaro são um dos pilares centrais das investigações em curso, e o Banco Master é objeto de suspeitas por irregularidades massivas.

A TV Globo confirmou com investigadores e fontes próximas o conteúdo da reportagem e a autenticidade do áudio, adicionando peso às revelações que reacenderam a discussão sobre a CPMI no Congresso Nacional.

Alcolumbre resiste e Congresso questiona

Apesar de toda a pressão e das exigências regimentais, a CPMI do Banco Master ainda não saiu do papel. O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), tomou a decisão de não criar o colegiado na sessão conjunta de 30 de abril de 2026, apesar de o regimento prever a instalação automática em caso de número suficiente de assinaturas para o requerimento. Para a abertura de uma CPMI, são necessárias pelo menos 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores. O requerimento protocolado em fevereiro de 2026 já contava com impressionantes 280 assinaturas (42 senadores e 238 deputados).

Durante a sessão em que a instalação foi negada, parlamentares da base governista alegaram que a não criação do colegiado decorreu de um acordo entre Alcolumbre e a oposição. O suposto pacto visava derrubar vetos do projeto de dosimetria, que poderia resultar na redução da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.

Em março de 2026, deputados e senadores tentaram garantir a instalação da CPMI por via judicial, acionando o Supremo Tribunal Federal (STF). Contudo, a manobra foi negada pela Corte, que reafirmou a competência do Congresso Nacional para a instalação de comissões de inquérito.

Repercussão e cobranças no Congresso

As novas revelações provocaram uma onda de indignação e reforçaram as cobranças pela instalação da CPMI nesta última quarta-feira, 13 de maio de 2026. O próprio senador Flávio Bolsonaro, envolvido nas revelações, defendeu a investigação. "Mais do que nunca é fundamental a CPI do Banco Master já. Vamos separar os bandidos dos inocentes", afirmou.

A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS), uma das vozes mais ativas pela instalação da CPMI, ressaltou a importância de investigar a fundo, "doa a quem doer". Ela apresentou questão de ordem ao senador Davi Alcolumbre, reiterando que a instalação da comissão não é uma escolha, mas uma obrigação regimental. "Nós vamos enfrentar, lutar, porque queremos investigar, doa a quem doer", declarou a deputada. Melchionna acrescentou: "Quem é podre que se quebre. Nós sabemos que essa extrema direita é muito podre. Nós queremos mostrar ao povo brasileiro isso, e, ao mesmo tempo, defender a prisão para os ladrões."

O líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), destacou que a iniciativa pela CPMI partiu da oposição desde o princípio. "Conseguimos todas as assinaturas, e ninguém da Base do Governo queria assinar. Agora, estufam o peito, porque querem inverter a narrativa", criticou. "Em todos os debates de que participamos, deixamos claro que somos favoráveis à CPMI do Banco Master."

Também o deputado Helder Salomão (PT-ES) cobrou veementemente a instalação da CPMI, referindo-se a um "grande acordão" para abafar as investigações. "Nós queremos, sim, a instalação da CPMI do Banco Master. Nós queremos que o Senador Davi Alcolumbre instale esta Comissão. Nós queremos que o Hugo Motta instale a CPI aqui. Agora, eles fizeram um grande acordão para derrubar o Messias, para aprovar a dosimetria e, acima de tudo, para enterrar a CPMI do Banco Master."

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