FUTURO SUSTENTÁVEL AGORA
Acelen inicia megaprojeto de biocombustíveis no Brasil
Com US$ 3 bilhões, complexo na Bahia produzirá SAF e diesel verde a partir de maio de 2026. Foco no mercado global.
A Acelen se prepara para iniciar, em breve, a construção de uma mega biorrefinaria que transformará o cenário dos biocombustíveis no Brasil e no mundo. A empresa deve anunciar nas próximas semanas o começo das obras, com a fase operacional planejada para iniciar ainda em maio ou em meados de junho de 2026. Revelada por Marcelo Lyra, Vice-presidente de Comunicação ESG e Relações Institucionais da Acelen, a iniciativa representa um investimento de US$ 3 bilhões e é crucial para impulsionar a produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e diesel verde, visando principalmente os mercados internacionais e contribuindo significativamente para um futuro mais sustentável.
Com um investimento robusto de US$ 3 bilhões, a iniciativa da Acelen não é apenas um marco industrial; é um passo decisivo em direção à autonomia energética e à responsabilidade ambiental. O novo empreendimento será instalado estrategicamente ao lado da Refinaria de Mataripe, na Bahia, um dos principais ativos controlados pela companhia. A expectativa é que o complexo, com capacidade produtiva de 1 bilhão de litros anuais, esteja concluído em dois anos e meio a partir do início das obras.
“Estamos na reta final, finalíssima, de especificação de engenharia, de início de operação, do início da construção. Mais algumas poucas semanas e a gente já vai anunciar o início das obras, mas estamos numa fase muito avançada”, afirmou Marcelo Lyra durante um diálogo com jornalistas no 3º Fórum Biodiesel e Bioquerosene, em São Paulo. Sua declaração sublinha o avanço do projeto, que promete colocar o Brasil na vanguarda da produção de biocombustíveis globais.
Quando atingir sua plena capacidade, a biorrefinaria de Mataripe projetará a produção de 20.000 barris de SAF por dia. A estratégia de mercado da Acelen foca prioritariamente na exportação, com os Estados Unidos e a União Europeia como os principais destinos, conforme detalhou Lyra. Essa orientação estratégica é reforçada por contratos de off-take já assegurados para a maior parte da produção futura, garantindo a demanda antes mesmo da conclusão do projeto.
A versatilidade da nova unidade permitirá a produção de biocombustíveis a partir de diversas matérias-primas renováveis, incluindo óleo de soja, UCO (óleo de cozinha usado) e outros óleos de origem animal e vegetal. Um dos pilares do projeto é o programa de plantio sustentável de 180 mil hectares de macaúba na Bahia e em Minas Gerais, uma iniciativa que já está em andamento desde 2025. Este programa não só assegura a matéria-prima, mas também incentiva pequenos e médios agricultores, transformando terras degradadas em florestas de bioenergia.
“Ele [óleo] vai ser produzido na agricultura em 100% de terras degradadas, em áreas de pastagem degradadas, transformadas em floresta de macaúba. Costumo dizer que são florestas de bioenergia. E dali a gente colhe, esmaga o frutinho, colhe o óleo, retira o óleo e esse óleo vai ser processado lá em Mataripe”, explicou Lyra, enfatizando a circularidade e o impacto ambiental positivo do cultivo.
O SAF, antes conhecido como bioquerosene, representa uma alternativa crucial ao querosene de aviação tradicional, feito de petróleo. Este combustível inovador é derivado de matérias-primas renováveis ou de baixo carbono, como óleos vegetais, resíduos agrícolas, lixo orgânico, etanol ou gases industriais, promovendo uma aviação com menor pegada de carbono.
Regulação Essencial
O setor de biocombustíveis aguarda com expectativa a publicação do decreto que regulamentará o mandato do SAF no Brasil. Lyra defendeu veementemente a implementação de um arcabouço regulatório robusto que viabilize o desenvolvimento pleno do setor, atraindo novos investidores e consolidando a competitividade nacional no cenário global.
“Como a gente está muito focado para fora, isso não tem muito impacto no nosso projeto especificamente. Mas como nós vamos ser um player desse setor, é importante que a regulamentação ocorra para trazer também novos players. Para que a gente tenha um setor com capacidade de produzir no Brasil de forma competitiva e se relacionar para fora com os reguladores globais também de forma relevante”, concluiu o vice-presidente, reforçando a necessidade de um ambiente regulatório claro para o avanço da bioenergia no país.
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