FALTA DE CLIENTES E CUSTOS

Abrasel-RN avalia que setor de alimentação enfrenta desafios inéditos pós-pandemia

Pratos de comida sendo preparados em um restaurante.
Setor de alimentação enfrenta cenário desafiador após pandemia, com mudanças de hábitos e pressão econômica.

Presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Norte (Abrasel-RN), Thiago Haddad, destaca que o cenário atual é mais desafiador que o da pandemia. Mudanças de hábitos e pressão econômica impactam estabelecimentos.

O setor de alimentação fora do lar vivencia uma transformação acentuada após a pandemia, impulsionada pelo crescimento expressivo do delivery e por mudanças significativas nos hábitos de consumo. A avaliação é de Thiago Haddad, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Norte (Abrasel-RN). Ele aponta impactos diretos tanto na operação dos estabelecimentos quanto na forma como diferentes gerações escolhem onde e como comer.

O avanço do delivery e a alteração no comportamento do consumidor têm afetado, em especial, os estabelecimentos que dependem exclusivamente do atendimento presencial. Para Haddad, a queda nas vendas físicas é motivo de grande preocupação, considerando que há casas 100% presenciais. A mudança de hábito da geração mais jovem e o aumento do delivery impactam o setor, uma vez que o ticket médio no salão é consideravelmente maior do que o do delivery. O atendimento presencial, segundo o dirigente, ainda representa um potencial maior de faturamento, possibilitando ampliação do consumo e um serviço mais personalizado.

Thiago Haddad descreve o momento como um dos mais desafiadores desde o período pandêmico, com uma pressão simultânea de queda no fluxo de clientes, aumento de custos e alteração no comportamento do consumidor. "Nem na pandemia o setor estava sofrendo tanto quanto está sofrendo agora, com a escassez de cliente, muito por causa dessa mudança dos novos hábitos de consumo", avalia.

Além da consolidação do delivery, o presidente da Abrasel-RN cita outros fatores que contribuem para a redução da presença dos consumidores nos restaurantes. Questões econômicas, como o uso de medicamentos para emagrecimento que influenciam o apetite e o repasse de preços devido à alta de insumos e à taxa Selic elevada, tornam o cenário ainda mais restritivo. "As canetas emagrecedoras têm tirado um certo movimento das casas e os preços que o setor tem que repassar, com essa alta de insumo, a Selic a 14,25% ao ano, é uma coisa proibitiva", afirma.

Para atrair o público, o cenário atual exige um esforço redobrado dos estabelecimentos. "O cliente precisa de um motivo hoje para sair de casa e um motivo muito forte de onde ele vai gastar o dinheiro, primeiro porque o dinheiro está curto e segundo porque precisa de um motivo além da comida boa para sair de casa", explica Haddad.

Há também uma mudança geracional evidente no comportamento de consumo, com os mais jovens priorizando praticidade e delivery, enquanto o público mais maduro ainda valoriza a experiência presencial. O setor, segundo Haddad, busca incessantemente se adaptar a esse novo perfil de consumidor. "Existe, sim, uma preocupação grande em atrair esses clientes e os novos públicos", destaca.

Mudança de hábitos e saúde

Essa modificação nos hábitos alimentares é percebida também pela nutricionista Júlia Macena, que observa um aumento na consciência sobre o papel da alimentação na promoção de um estilo de vida saudável. "Essa mudança de hábitos veio muito das pessoas começarem a perceber o quanto a saúde, alimentação saudável, atividade física, são primordiais para manter o nosso corpo resistente. Como foi a pandemia, onde muitas pessoas que não tinham esses cuidados sofreram as consequências. Mudar foi necessário, estamos em uma era que as pessoas desejam se sentir bem, a mudança no meu consultório foi nítida, a procura por nutricionistas aumentou de forma exponencial, ainda mais onde todos perceberam que a alimentação é quem manda", destaca.

Sobre o uso de medicamentos para emagrecimento, a nutricionista alerta para a importância do acompanhamento profissional para evitar efeitos colaterais. "Um dos principais conselhos é que a pessoa tenha um acompanhamento e não use de forma de qualquer jeito, procurando com qualquer pessoa, porque até a forma que é armazenada essa medicação também pode ter efeitos colaterais. Então é muito importante que a pessoa tenha essa ciência em aliar o uso da medicação com um bom acompanhamento", enfatiza.

Macena lembra que é possível manter uma dieta saudável mesmo ao comer fora de casa, optando por estabelecimentos que oferecem opções benéficas. "A orientação é evitar alimentos gordurosos, procurar restaurantes que tenham mais esse cuidado, escolher sempre opções grelhadas de carne, frango, colocar legumes, salada, arroz solto, feijão que tenha aparência de menos gordura, e ter cuidado de comer comidas mais limpas principalmente em gordura", aconselha.

Estratégias de Adaptação e o Papel do Delivery

Diante do cenário desafiador, a Abrasel aponta que os estabelecimentos buscam alternativas para manter a competitividade, como a reformulação de cardápios e a adaptação de estratégias de venda. "Na questão dos inibidores de apetite, é reformulação de cardápio com porções menores e com mais proteína", exemplifica Haddad.

Haddad também cita esforços institucionais para melhorar o ambiente de negócios, embora reconheça limitações diante do cenário econômico. "Inflação foge da nossa esfera de atuação, embora a Abrasel nacional faça um trabalho constante em termos de desoneração da folha e vantagens competitivas para setor", afirma.

Apesar dos desafios, o delivery se consolidou como uma importante fonte de receita complementar para os restaurantes. O empresário Luiz Segundo avalia que o modelo se tornou parte integrante da rotina de consumo. "Após a pandemia o consumo de delivery se tornou ainda mais comum e hoje notamos que já faz parte do dia a dia de várias pessoas", afirma.

Ele destaca que o serviço ajuda a equilibrar o faturamento em horários de menor movimento, permitindo que consumos antes restritos aos fins de semana se tornem mais comuns em dias e horários alternativos. "Consumos maiores que antes se restringiam aos fins de semana, hoje são mais comuns em dias e horários alternativos, isso nos ajuda a complementar o faturamento e movimenta a casa em horários de baixo fluxo de clientes", conclui.

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