RIQUEZA RURAL
Abimaq e ESALQ/USP: Irrigação impulsiona PIB rural em até 256%
Estudo revela avanço de R$182 mil em Mato Grosso; potencial para 55,85 milhões de hectares de áreas irrigadas no Brasil.
Um levantamento inovador da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) e do Grupo de Políticas Públicas da ESALQ/USP (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo) revela que a agricultura irrigada é um motor potente para o desenvolvimento, impulsionando o PIB (Produto Interno Bruto) per capita das regiões rurais em até 256%. Divulgado nesta quarta-feira, 06/05/2026, o estudo demonstra como essa tecnologia transforma a vida no campo, gerando riqueza e diminuindo desigualdades sociais e econômicas por todo o Brasil.
Em locais que adotam a irrigação, os resultados são notáveis: o PIB per capita pode ser até 256% maior. Em Mato Grosso, por exemplo, esse valor ultrapassa expressivos R$ 182 mil, configurando um dos patamares mais elevados registrados na pesquisa. Esses números não são apenas estatísticas; eles representam famílias com mais oportunidades, acesso a bens e serviços e uma melhor qualidade de vida.
A pesquisa analisou sete polos regionais que se destacam pelo uso significativo da irrigação em quatro estados brasileiros. Na Bahia, a média dos ganhos supera em 68,6% os valores de outras áreas; em Minas Gerais, a diferença atinge 42,85%. Rio Grande do Sul e Mato Grosso também registram aumentos importantes, com 11,96% e 8,13%, respectivamente, evidenciando o impacto positivo em diversas realidades regionais.
Luiz Paulo Heimpel, Vice-presidente da CSEI (Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da Abimaq), enfatiza que “o estudo indica que a agricultura irrigada tende a ganhar ainda mais importância diante dos desafios climáticos e produtivos, ampliando a eficiência no campo e contribuindo para reduzir desigualdades regionais.” Ele ainda avalia que “com políticas públicas adequadas e planejamento, a tecnologia pode ganhar escala no país e ajudar o produtor a produzir mais com segurança, mesmo diante das variações climáticas”, garantindo a estabilidade e a renda de milhares de agricultores.
Para além da renda, o levantamento da Abimaq e ESALQ/USP ilustra uma menor dependência de programas de transferência de renda nos polos irrigados. Em Mato Grosso, a parcela de beneficiários é cerca de 50% inferior em comparação aos demais municípios rurais, um indicativo claro de autossuficiência e fortalecimento econômico local.
Dados da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) apontam que o Brasil já conta com aproximadamente 8,2 milhões de hectares equipados para irrigação. Contudo, estimativas audaciosas preveem um salto de mais de cinco vezes nesse total, com a incorporação de até 55,85 milhões de hectares. Desse potencial, cerca de 48% das áreas atualmente são ocupadas por pastagens, sugerindo uma vasta fronteira para o desenvolvimento agrícola.
As simulações realizadas pela pesquisa projetam impactos econômicos substanciais tanto no curto quanto no longo prazo com a expansão da irrigação. Para cada 1,6 mil hectares adicionados, o valor adicionado bruto da agropecuária pode crescer em R$ 8,27 milhões inicialmente, atingindo cerca de R$ 14 milhões ao longo do tempo. Esse avanço também se traduzirá na criação de empregos formais, oferecendo novas perspectivas e dignidade para as comunidades rurais.
O estudo também sublinha fatores cruciais para alavancar a irrigação no país, como o acesso a energia elétrica, a qualificação da mão de obra, a gestão sustentável dos recursos hídricos e a conectividade no meio rural. Investir nesses pilares é fundamental para garantir que o Brasil continue a colher os frutos de uma agricultura moderna e produtiva.
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