SETOR AGRÍCOLA EM ALERTA
Abac revela queda nas vendas de consórcios de máquinas agrícolas
Redução de 10,1% no 1º trimestre de 2026, com 20,71 mil cotas; volume de crédito comercializado recua 7,2%.
A Abac (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio) revelou, nesta terça-feira, 28/04/2026, uma retração significativa nas vendas de consórcios de máquinas agrícolas. O setor registrou uma queda de 10,1% no primeiro trimestre de 2026, com 20,71 mil cotas comercializadas, contrastando com as 23,04 mil vendidas no mesmo período de 2025. Este declínio reflete um cenário de cautela no agronegócio, impactando diretamente os investimentos de produtores rurais e a renovação de suas frotas, crucial para a produtividade no campo. A diminuição se deve, em parte, ao custo elevado do crédito e ao aumento do endividamento no setor de bens de capital.
O volume de créditos comercializados também sofreu um recuo, diminuindo 7,2% e passando de R$ 5,11 bilhões para R$ 4,74 bilhões na mesma comparação anual. Essa contração no acesso a crédito afeta a capacidade dos agricultores de modernizar suas operações e investir em tecnologia, essenciais para a competitividade do agronegócio brasileiro.
Apesar do desafio nas vendas, outros indicadores sinalizam resiliência e adaptação. O número de participantes ativos no segmento de máquinas agrícolas cresceu 3,6%, alcançando 461,73 mil consorciados em março. Este aumento sugere que, mesmo em um ambiente de restrição, a modalidade de consórcio mantém-se como uma alternativa atraente para o planejamento de longo prazo.
As contemplações, que representam o momento em que o participante tem acesso efetivo ao crédito para adquirir seu equipamento, avançaram 3,4% no trimestre, totalizando 14,43 mil. O volume de créditos liberados por essas contemplações também viu um crescimento robusto de 8,8%, chegando a R$ 3,33 bilhões. Isso demonstra que os recursos estão, de fato, chegando aos consorciados, viabilizando suas aquisições.
A elevação no tíquete médio é outro ponto de destaque. Registrou-se um aumento de 4,9%, de R$ 228,67 mil para R$ 239,92 mil. Esse crescimento reflete diretamente o encarecimento dos próprios equipamentos agrícolas, o que pressiona ainda mais a necessidade de planejamento financeiro por parte dos produtores.
O segmento de máquinas agrícolas detém uma fatia expressiva, representando 51% do total de participantes em consórcios de veículos pesados. Segundo a Abac, o desempenho observado no primeiro trimestre de 2026 se insere em um contexto de cautela generalizada no setor de bens de capital, crucial para o agronegócio. Fatores como o custo do crédito e o nível de endividamento continuam a moldar as decisões de investimento, exigindo estratégias financeiras mais cuidadosas e eficientes dos participantes do mercado.
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