LIÇÃO DE RESILIÊNCIA
A reconstrução que salvou Armênia de tragédia em tremor na Colômbia
Após devastação em 1999, normas rígidas de engenharia e reconstrução estratégica protegeram a cidade no recente terremoto de magnitude 7,4.
A cidade de Armênia, na Colômbia, resistiu ao terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país na semana passada (10/08/2026), evitando a repetição do cenário catastrófico vivido décadas atrás. A decisão das autoridades locais em reconstruir a cidade sob rigorosos padrões de engenharia após a destruição de 1999 foi determinante para que, desta vez, não houvesse desabamentos fatais de edifícios. Para sobreviventes como Vanessa Porras, que perdeu a casa no desastre de 25 de janeiro de 1999, o tremor recente foi um teste de resiliência. Enquanto o evento anterior, com magnitude 6,1, devastou a região e ceifou 971 vidas, a estrutura urbana atual de Armênia, capital do Departamento de Quindío, provou que o planejamento urbano focado na segurança das pessoas pode salvar vidas. Especialistas explicam que a magnitude não é o único fator de risco. O terremoto de 1999 foi mais destrutivo por ter ocorrido a apenas 10 km da cidade e a uma profundidade reduzida de 21 km. Já o evento ocorrido em 10/08/2026 teve seu epicentro em San José del Palmar, a 70 km de distância e a uma profundidade de 107 km, o que atenuou o impacto direto na capital do Quindío. Federico Alejandro Núñez, engenheiro civil e professor da Universidade Javeriana, em Bogotá, destaca que o sucesso de Armênia reside no cumprimento do Regulamento Colombiano de Construção Sismo-Resistente. O objetivo das normas vigentes não é impedir danos estruturais, mas evitar o colapso das construções, garantindo que os ocupantes possam sair com vida. Em contraste, a cidade de Pereira sofreu danos severos e diversas mortes, evidenciando a fragilidade de edifícios mais antigos que não passaram pela mesma atualização estrutural exigida em Armênia. A avaliação de danos continua sendo realizada por profissionais como Claudia Arenas, enquanto o país busca entender como o solo e as normas de construção definiram destinos tão distintos para cidades vizinhas.
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