GEOPOLÍTICA E PODER

A Doutrina Monroe e a influência na estratégia do governo Trump para a América Latina

Donald Trump embarcando no Air Force One em Maryland.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embarca no Air Force One na Base Conjunta Andrews, em Maryland.

A administração Trump revisita o conceito do século 19 para conter a China na região e priorizar a segurança nacional dos EUA.

O governo dos Estados Unidos reafirmou a importância da histórica Doutrina Monroe como base central de sua política externa voltada para as Américas. A decisão foi consolidada pela Casa Branca ao integrar explicitamente o conceito na atual Estratégia de Segurança Nacional (National Security Strategy), justificando a necessidade de manter o hemisfério ocidental livre de influências externas que ameacem os interesses americanos.

A medida é fundamental, pois define como o governo Trump articula sua atuação regional, tratando a América Latina não apenas como uma área de vizinhança, mas como um setor estratégico para conter o avanço da China, além de mitigar fluxos de imigração e o tráfico de drogas.

Historicamente, a Doutrina Monroe surgiu em 1823, quando o então presidente James Monroe estabeleceu, perante o Capitólio, que qualquer tentativa de potências europeias em intervir no continente seria considerada uma afronta à paz e à segurança dos Estados Unidos. Esse entendimento evoluiu ao longo do tempo através de reinterpretações, conhecidas como corolários, que permitiram intervenções diretas e indiretas, especialmente no Caribe e na América Central.

O atual governo, apelidado por críticos de "Doutrina Donroe" em uma alusão ao presidente Donald Trump, resgata essa postura de influência. Em 11 de agosto de 2026, conforme registros, o presidente foi visto em deslocamento na Base Conjunta Andrews, em Maryland, reiterando o compromisso de sua gestão com a proteção do hemisfério ocidental.

A estratégia atual marca uma transição clara no foco de Washington: se no passado a meta era evitar a influência europeia, o objetivo contemporâneo é neutralizar a presença chinesa no que oficiais americanos classificam como seu "quintal". Essa abordagem, considerada definitiva pelo atual planejamento estratégico, reflete a busca por recuperar a hegemonia regional em um cenário global de disputa por poder.

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