LIMITE TECNOLÓGICO SÍSMICO
A ciência pode prever terremotos? Entenda as limitações da tecnologia atual
Especialistas da UnB e USP esclarecem por que a detecção antecipada de tremores segue sendo um desafio global e como funcionam os sistemas de alerta precoce.
A recente atividade sísmica na Venezuela, ocorrida em 13/07/2026, reacendeu o debate global sobre a capacidade humana de antecipar desastres naturais. Apesar dos avanços significativos na instrumentação geológica, a ciência ainda não possui meios para prever com exatidão o momento, o local e a magnitude de um terremoto, o que mantém a busca por soluções focada na mitigação de riscos e na proteção da dignidade humana.
Giuliano Sant’ana Marotta, chefe do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), ressalta que o que a ciência faz hoje é a detecção, não a previsão. “Detectar um terremoto significa identificar e registrar sua ocorrência. A análise dos dados permite determinar a localização, a profundidade, a magnitude e o instante em que o tremor aconteceu”, explica o especialista.
Os atuais sistemas de alerta, presentes em países como Japão e México, operam após o início do evento. José Alexandre Araujo Nogueira, analista do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), detalha que o segredo está na velocidade das ondas sísmicas. “Quando as ondas P, que são menos destrutivas e viajam mais rápido, são registradas, é possível enviar um alerta para áreas que ainda serão atingidas pelas ondas de maior impacto”, afirma.
Esse intervalo, embora curto, é vital para salvar vidas. O tempo ganho permite que pessoas busquem abrigos seguros sob mesas resistentes ou próximas a paredes estruturais, além de possibilitar que sistemas automatizados interrompam o fornecimento de gás e parem elevadores, evitando acidentes secundários.
Quanto à realidade do Brasil, o cenário é de cautela. Embora o país esteja no interior da Placa Sul-Americana, tensões nas bordas podem reativar falhas geológicas, afetando regiões como Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Amazônia. Contudo, a Rede Sismográfica Brasileira possui apenas cerca de 100 estações, um número reduzido para a extensão territorial nacional.
A implantação de um sistema de alerta precoce em solo brasileiro exigiria investimentos massivos em uma rede densa de monitoramento. Por ora, a estratégia adotada é a vigilância contínua para subsidiar a Defesa Civil e garantir que a população seja orientada com precisão oficial, reduzindo o pânico e as consequências sociais de eventos sísmicos.
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