DINÂMICAS DE RELACIONAMENTO

A ascensão da 'femosfera': mulheres que renunciam ao romance e buscam homens de 'alto valor'

Mulher em um encontro olhando para o celular com expressão analítica
Influenciadoras da 'femosfera' defendem que o romantismo seja deixado de lado na avaliação de potenciais parceiros — Foto: Getty Images/BBC

Influenciadoras digitais propõem uma abordagem transacional nos encontros, avaliando parceiros como ativos de risco e priorizando a segurança individual em um ecossistema crescente.

O universo dos relacionamentos digitais tem experimentado uma mudança radical na forma como mulheres se posicionam diante do romance. A denominada 'femosfera', um ecossistema composto por influenciadoras, podcasts e fóruns online, consolidou-se como um movimento que incentiva a desconstrução de ilusões românticas em favor de uma visão pragmática e, por vezes, contábil sobre os vínculos afetivos.

Nesta segunda-feira, 13/07/2026, analisa-se como esse movimento propõe que a mulher priorize a própria autonomia, classificando homens conforme critérios de comportamento e estabilidade, sob a lógica de que o parceiro deve atuar como um facilitador de vida e não um centro de preocupações.

A estratégia central do grupo é a formação de 'Mulheres de Alto Valor' (MAVs). O conceito defende que, ao elevar o padrão de exigência e manter o distanciamento emocional em estágios iniciais, a mulher evita a exposição a comportamentos abusivos, como o 'love bombing' — a tática onde o parceiro inunda a vítima de afeto nos primeiros encontros para obter controle psicológico.

Para especialistas como Jilly Kay, da Universidade de Loughborough, a 'femosfera' nasce como uma reação direta ao desequilíbrio estrutural nas relações e ao temor da violência. "É uma mistura estranha e complexa de ideias que visam proteger a mulher, mas com soluções frequentemente reacionárias", observa a pesquisadora.

Embora as adeptas defendam que essa postura atua como um 'colete à prova de balas' emocional e físico — ao exigir encontros em locais públicos e proibir que homens busquem mulheres em casa, por exemplo —, críticas apontam para um fatalismo crescente. O medo de que a violência ou a misoginia sejam características inerentes ao gênero masculino pode levar jovens a desistirem de transformações sociais mais amplas, focando exclusivamente na sobrevivência individual dentro de um mercado de encontros visto como predatório.

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