CRISE PREVIDENCIÁRIA

Colapso previdenciário ameaça futuro do RN, alerta Hermano Morais

Deputado Hermano Morais alerta para a crise da previdência no Rio Grande do Norte.
Deputado Hermano Morais em discurso na Assembleia Legislativa do RN. Foto: Eduardo Maia/ALRN.

Com déficit de R$ 2 bilhões projetado para 2025, o deputado Hermano Morais destaca que o Rio Grande do Norte pode perder capacidade de investir em áreas cruciais e comprometer serviços essenciais à população.

Na quarta-feira, dia 15, o deputado estadual Hermano Morais (MDB) alertou a Assembleia Legislativa sobre o iminente colapso do sistema previdenciário do Rio Grande do Norte. A declaração, motivada pelo crescente déficit que atingirá R$ 2 bilhões em 2025, ressalta a urgência de um entendimento entre os Poderes e órgãos autônomos para evitar um severo impacto na capacidade de investimento do Estado e na dignidade dos aposentados e pensionistas.

Pré-candidato a vice-governador na chapa de Allyson Bezerra (União), o parlamentar enfatizou que o rombo nas contas da Previdência compromete a capacidade de investimento do Estado e exige medidas urgentes e estruturais. “Se não houver um entendimento entre os Poderes e os órgãos que têm orçamento próprio para enfrentar essa questão, nós sabemos que vai haver um colapso da questão previdenciária e diminuir de uma vez por todas a capacidade de investimento próprio do Estado”, afirmou Morais.

As declarações do deputado ocorreram no mesmo dia em que o jornal Agora RN publicou reportagem detalhando o agravamento do déficit previdenciário estadual. Conforme os dados apresentados na prestação de contas do Governo do Estado à ALRN, o rombo da Previdência dos servidores civis ultrapassou R$ 2 bilhões no ano de 2025. Esse valor representa a diferença entre o que foi arrecadado e a despesa com o pagamento de benefícios.

Para assegurar o pagamento dos aposentados e pensionistas, a diferença precisa ser coberta pelo Tesouro Estadual, o que reduz significativamente os recursos disponíveis para outras áreas essenciais. “O governo é obrigado a retirar mês a mês recursos que poderiam estar sendo utilizados para outras despesas e investimentos para promover o desenvolvimento do nosso Estado”, pontuou o deputado.

O parlamentar classificou a situação como um “desequilíbrio gritante” e alertou para a tendência de agravamento do problema. Ele registrou que o aumento do número de beneficiários não é acompanhado pela ampliação da base de contribuintes. “Enquanto o número de aposentados e pensionistas cresce, o de servidores ativos não acompanha essa evolução. Ou seja, mais gente para receber e menos gente para contribuir”, observou.

Hermano Morais ressaltou que o déficit previdenciário não é um problema recente, mas um desafio acumulado ao longo de diferentes governos. Para ele, as medidas adotadas até o momento ainda não produziram os efeitos necessários. “O déficit vem sendo acumulado nos últimos anos e em diversos governos, sem que as medidas adotadas tenham surtido os efeitos esperados”, afirmou.

O deputado também defendeu que o tema seja incorporado ao debate político e aos programas de governo, sobretudo diante da proximidade das eleições. Ele destacou que participa da elaboração do projeto “RN do Futuro”, que inclui a discussão sobre a sustentabilidade da Previdência.

“Esse assunto precisa ser debatido agora, no período que se aproxima da campanha eleitoral. Precisamos discutir com todos os Poderes e órgãos que têm orçamento próprio”, declarou Morais, enfatizando a necessidade de uma solução conjunta.

Dados recentes da Secretaria do Tesouro Nacional apontam que o Rio Grande do Norte possui a maior despesa previdenciária proporcional do País, com 34% do total das despesas destinadas ao pagamento de aposentadorias e pensões — um fator que intensifica a pressão sobre as finanças públicas e a capacidade do Estado de investir em saúde, educação e segurança.

O parlamentar concluiu seu pronunciamento defendendo a continuidade do debate e a busca por soluções sustentáveis para o Estado. “Vamos continuar discutindo com seriedade os problemas e as soluções para o Rio Grande do Norte”, finalizou.

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