RETARDATÁRIOS: Dos 9 Estados do NE, apenas RN, Piauí e Alagoas ainda não destravaram a reabertura do comércio

FOTO: ILUSTRAÇÃO

Dos nove Estados do Nordeste, apenas Rio Grande do Norte, Piauí e Alagoas ainda não tomaram medidas para reabertura de suas economias. Os outros - Bahia, Pernambuco, Sergipe, Maranhão, Ceará e a Paraíba - já iniciaram algum protocolo visando a retomada econômica. O Estado potiguar possui o terceiro menor índice de mortes absolutas causadas pela covid-19 na região. Todos os outros Estados que reabriram têm situação mais grave. A possibilidade de início do plano gradual de retomada da economia no RN foi adiada do dia 17 para 24 de junho.

Os Estados que permanecem fechados estão entre os que registram menos mortes pela infecção do novo coronavírus na região Nordeste. O Rio Grande do Norte tem 585 mortes confirmadas até esta terça-feira, 16. Alagoas está logo acima do Estado potiguar, com 768 mortes confirmadas; e Piauí tem o menor número, 374. Sergipe, com reabertura da economia marcada para esta quinta-feira, 18, tem 352 mortes confirmadas e é o segundo Estado com menos mortes causadas pela pandemia na região. Ceará e Pernambuco, que já adotaram protocolos de reabertura econômica, possuem mais mortes: 4.999 e 3.886, respectivamente.

Na avaliação do economista Bira Rocha, ex-presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), o prejuízo econômico no setor comercial já é irreversível em todo o mundo, incluindo no Rio Grande do Norte. “A economia vai ter que se reinventar. O comércio já está muito afetado, mais do que se pensa, porque quando uma empresa fecha é muito difícil reabrir, principalmente para o pequeno empreendedor. E não vai haver uma recuperação. O caminho da economia nos próximos anos vai ser de reinvenção”, disse.

“Não acho que o prejuízo pode ser calculado pelo tempo que vai ficar fechado. Quem faz isso, faz por chute. Estamos numa guerra contra um vírus, invisível e imprevisível, que não tem nem remédio, nem vacina. Quer dizer, podemos reabrir amanhã e depois ter que fechar de novo. É assim no mundo inteiro”, completou o economista.

A avaliação de Bira Rocha sobre os danos negativos da pandemia no setor comercial condiz com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda de receitas do segmento comercial de março para abril foi de 11,1% no Rio Grande do Norte e 17% no Brasil, a pior queda em 20 anos. Abril foi o primeiro mês integral em que o fechamento da economia para promover o distanciamento social esteve vigente. No Rio Grande do Norte, por exemplo, o comércio fechou no dia 23 de março.

O empresário Sérgio Cirne, proprietário de uma rede de varejo no RN, afirmou que o maior problema para o comércio é a impossibilidade de realizar um planejamento devido às incertezas da pandemia. Antes dela, Cirne planejou a abertura de uma nova unidade da rede em um shopping de Natal, mas precisou realizar demissões para manter o plano. “Precisamos fazer algumas supressões e demissões neste momento difícil”, comentou.

Apesar do prejuízo econômico, o fechamento do comércio é uma medida necessária em todo o mundo para aumentar o distanciamento social e reduzir o contágio do novo coronavírus. Nesta terça-feira, 16, o secretário-adjunto de Saúde do Estado, Petrônio Spinelli, pediu paciência para o isolamento social ser mantido até a redução da ocupação dos leitos críticos (intensivos ou semi intensivos) porque “os primeiros resultados do isolamento social mais rígido estão sendo colhidos”.

Spinelli se referiu à fila de espera pelos leitos, que diminuiu nos últimos dias, chegando a 53 na terça-feira, 16. Há sete dias, no dia 10, a fila havia chegado a 67 pessoas. “A pressão sobre leitos reduziu, e isso já mostra resultados do programa Pacto pela Vida. Precisamos manter o esforço para reduzir ainda mais a pressão, ter mais leitos desocupados e poder reabrir o comércio”, disse. No decreto do governo estadual, a reabertura do comércio está condicionada a uma ocupação máxima de 70% dos leitos intensivos.

Com informações da Tribuna do Norte

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