Hormônios sexuais podem explicar por que mulheres morrem menos de Covid-19

FOTO: ILUSTRAÇÃO

Seis meses após o início da pandemia, um mistério sobre o coronavírus ainda intriga cientistas pelo mundo. Uma série de estudos já demonstrou que os homens correspondem a maior parte das vítimas fatais do vírus, e parecem apresentar sintomas mais graves com mais frequência do que as mulheres.

Ainda não se sabe exatamente por quê, mas algumas hipóteses já foram levantadas, incluindo explicações comportamentais – como o fato de as mulheres procurarem ajuda médica com mais frequência. Mas uma outra ideia ganhou força recentemente: a de que os hormônios femininos possam ser uma arma contra a doença.

Antes de tudo, vale lembrar as evidências que apontam que o coronavírus parece afetar homens de maneira mais agressiva. No Brasil, dados do meio de maio divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que quase 55% dos internados com sintomas graves eram homens. Uma revisão de estudos feitos no começo da pandemia, entre janeiro e março, também mostrou que a letalidade entre homens era até três vezes maior do que entre mulheres. Desde então, dezenas de estudos em diferentes países, como Inglaterra, Estados Unidos, Itália e bancos de dados internacionais mostram que o padrão se repete: na maioria dos países, homens morrem mais de Covid-19 do que mulheres.

Além disso, o fato de mulheres grávidas parecerem, em grande parte, apresentar apenas sintomas leves da doença (apesar de estarem no grupo de risco, graças ao sistema imunológico alterado) intrigou cientistas de todo o mundo.

Acontece que gestantes têm, naturalmente, níveis de hormônios femininos altíssimos durante o período de gravidez. Isso levou muitos especialistas a se perguntarem se os hormônios sexuais podem ter alguma relevância na evolução da doença.

A hipótese não surgiu totalmente à toa: há muito tempo se sabe que o estrógeno e, em menor parte, a progesterona, ambos hormônios produzidos em alta escala pelo corpo feminino, parecem aprimorar o sistema imunológico das mulheres. Apesar dos detalhes do fenômeno ainda não estarem tão claros, sabe-se que a resposta imune de mulheres é melhor do que a de homens – e não apenas contra o coronavírus.

Mas apenas esse mecanismo geral não parece explicar diferenças tão marcantes e específicas dos números da Covid-19. Uma outra explicação pode envolver a enzima conversora da angiotensina 2 (ACE2), uma proteína que é expressa em vários tecidos do corpo humano e é usada pelo SARS-CoV-2 como “porta de entrada” para nossas células. Experimentos em laboratório já mostraram que o estrógeno parece reduzir a presença dessa enzima no corpo humano.

Ou seja: mulheres teriam menos “portas” para o vírus em suas células do que homens por conta da ação do estrógeno, o que as tornaria mais resistentes. Mas ainda faltam provas definitivas para definir se isso de fato acontece em proporções suficientes para explicar a diferença entre os sexos.

Super Interessante/ Abril

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário