EFEITO PANDEMIA: Empresas de ônibus demitem cerca de mil trabalhadores no RN

Mais de mil trabalhadores de empresas de transporte coletivo de Natal e Região Metropolitana foram demitidos em 2020 durante a pandemia do novo coronavírus. O número representa cerca de 40% dos 2,5 mil funcionários que atuavam no setor antes da crise sanitária, segundo o Sindicato dos Trabalhadores e Transportadores Rodoviários do Rio Grande do Norte (Sintro/RN). As empresas de ônibus alegam que as demissões decorrem dos prejuízos causados pela pandemia, com as medidas de isolamento social.
De acordo com o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros do Município do Natal (Seturn), o distanciamento social levou a uma redução de 48,67% da demanda de passageiros no ano passado em comparação à 2019 e acarretou em prejuízo. O percentual foi calculado a partir do número de tarifas registradas no setor, que caiu de 89,1 milhões em 2019 para 45,7 milhões em 2020.
“As empresas diminuíram a frota e precisaram se adequar e enxugar seus quadros. Muitos foram demitidos”, declarou o consultor e porta-voz do Seturn, Nilson Queiroga. Questionado sobre o valor da redução de receitas no mesmo período, Nilson Queiroga afirmou que o Seturn optou por não divulgar os números.
Segundo o secretário-geral do Sintro/RN, Arnaldo Dias, a maioria das demissões se tornaram ações judiciais porque as empresas de ônibus não pagaram o valor completo da multa rescisória e o aviso prévio aos funcionários. Cinco ações coletivas tramitam no Tribunal Regional do Trabalho (TRT/RN), direcionadas contra empresas de ônibus que promoveram as demissões. “Os primeiros demitidos foram os cobradores, depois vieram os motoristas”, disse Dias.
As demissões se intensificaram com o fim da Lei Federal nº 14.020/2020 em dezembro, que reduziu jornadas e salários ou suspendeu contratos trabalhistas. De acordo com o relato de trabalhadores, os funcionários demitidos em dezembro sequer chegaram a receber o 13º salário. “O Sindicato atua junto com o Jurídico para tentar garantir os direitos desses funcionários e estamos esperando o trâmite das ações”, continuou Dias.
Leia na íntegra a reportagem da Tribuna do Norte
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