Covid-19 entrou no Rio Grande do Norte vindo da Europa, segundo pesquisadores

Passados quase quatro meses do registro do primeiro caso do novo coronavírus no Rio Grande do Norte, pelo menos 79.676 desembarcaram no Estado pelo Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, entre março e maio, sem serem inspecionadas por autoridades sanitárias. Foi através de um ou mais desses passageiros que o vírus da covid-19 ingressou no território potiguar importado do continente europeu. O primeiro caso da doença no Estado foi confirmado numa mulher de 24 anos, moradora de Natal, com histórico de viagens para Itália, França e Áustria.
Um estudo científico intitulado “Identificação das rotas iniciais de importação e disseminação da Covid-19 no Brasil” mapeou as rotas de entrada do novo coronavírus no Brasil. Ele aponta que a entrada e a disseminação dele no País se deram após viagens internacionais e até mesmo em território nacional. A análise feita pelos pesquisadores concluiu que em 19 estados brasileiros, incluindo o Rio Grande do Norte, os primeiros casos da doença foram em pessoas com histórico de viagem internacional. Os pesquisadores sugerem que a falta de fiscalização nos aeroportos pode ter contribuído para a propagação da doença.
A pesquisa foi publicada na revista GeoSaberes, da Universidade Federal do Ceará (UFC). De acordo com o professor Marco Túlio Mendonça Diniz, do Programa de Pós-Graduação em Geografia do Campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte em Caicó, a ideia dos pesquisadores era realizar um estudo com o objetivo de analisar os dados epidemiológicos dos 27 Estados brasileiros, aliado às informações dos aeroportos e de transporte aéreo no país.
Os pesquisadores detalharam que 19 Estados (66,7%) tiveram os primeiros casos relacionados a pessoas com histórico de viagem internacional. No caso dos outros oito Estados (33,3%), a pesquisa constatou que os primeiros casos registrados aconteceram após viagens dentro do território brasileiro, como São Paulo (66,7%), Rio de Janeiro (22,2%) e Ceará (11,1%). A pesquisa também é assinada pelos pesquisadores Vitor Hugo Pereira, membro do Grupo de Pesquisa em Geoprocessamento e Geografia Física da UFRN; Glairton Rocha e Marcos Antônio Cavalcante, do Grupo Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Instituto Federal do Piauí (IFPI).
“Concluímos que 90% dos casos que vieram do exterior vieram da Europa, principalmente da Itália, 57% veio de lá. Outros casos vieram dos Estados Unidos. Mas a maioria dos primeiros casos de coronavírus em cada Estado veio da Europa”, explicou o professor Marco Túlio Mendonça Diniz. Os pesquisadores observaram os primeiros casos de coronavírus em todos os Estados. O primeiro caso surgiu no dia 26 de fevereiro, em São Paulo, sendo um homem, 61 anos, com histórico de viagem a Itália. Menos de um mês depois, no dia 21 de março, Roraima registrava o primeiro caso e todas as unidades federativas do país possuíam ao menos um registro de coronavírus.
Na avaliação do professor Marco Túlio, o principal problema de gestão do poder público na pandemia do coronavírus foi o fato de não ter feito um fechamento dos aeroportos, além de “menosprezo” pela doença.
“O ideal seria ter fechado os aeroportos e logo que os primeiros casos viessem, porque se os aeroportos estavam fechados, se viessem, seriam dos países vizinhos. Todos os primeiros casos de todos os Estados vieram por aeroportos. A maior parte de voos internacionais e outros que foram de contágio comunitário no próprio país também foram por aeroportos. É algo que outros países fizeram. Como o país é o epicentro, vários países não aceitam voos do Brasil hoje”, declarou o estudioso.
Tribuna do Norte
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