“Cenário de guerra”, diz Cipriano Maia sobre colapso na rede pública e privada

O sistema de Saúde da Grande Natal está em colapso diante das dificuldades em responder à alta demanda por leitos nas redes pública e privada, destinados ao tratamento da covid-19 na região. A avaliação é do titular da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN), Cipriano Maia. Ele afirma que a rede de saúde, em todo o Rio Grande do Norte, vive um momento de saturação total, com agravamento do quadro na capital e cidades circunvizinhas.
Segundo Cipriano Maia, o cenário que se configura no Estado é o de uma “tragédia”.
“Estamos numa situação de colapso na Região Metropolitana, exatamente porque o sistema de Saúde não consegue dar respostas, no momento oportuno, para a necessidade de leitos. O crescimento da demanda de forma exacerbada levou a um descompasso entre oferta e procura (de leitos). É uma tragédia que está se configurando com a saturação total do sistema de Saúde e sem alternativas de curto a médio prazo para que a gente supere isso”, relata o secretário.
Desde a terça-feira (2), o índice de ocupação dos leitos críticos nos hospitais públicos de Natal e do interior, registra um quantitativo superior a 94%, o mais alto desde o começo da pandemia no Rio Grande do Norte. De acordo com a Plataforma Regula RN, 60 pessoas aguardavam por leitos críticos no início da tarde dessa quarta-feira (3), sendo a maioria (58), na Região Metropolitana. Os outros dois pacientes em espera eram da Região Oeste do Estado.
Na contramão da alta procura, apenas 17 leitos para tratar pacientes acometidos pela forma mais grave da doença estavam disponíveis. O secretário Cipriano Maia afirma que a Sesap continua trabalhando com a expansão de leitos para tentar desafogar a rede de assistência pública, mas que, no momento, não há solução imediata para o problema.
“Não há muito o que fazer. Nós estamos tentando melhorar o giro de ocupação dos leitos, encaminhando pacientes em condições de deixar a UTI para cuidados semi-intensivos, mas há limites. A situação está assim em todo o país. Não há leitos suficientes para uma demanda exponencial. Nenhum sistema de Saúde no mundo dá conta do cenário que estamos vivendo, principalmente pela complexidade que os leitos críticos exigem, com trabalho e equipamentos especializados, algo que já é escasso”, assume o secretário.
Segundo o titular da Sesap, nenhum paciente infectado pelo novo coronavírus no Rio Grande do Norte está sem assistência médica. “Enquanto esperam por uma UTI, os pacientes permanecem internados em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), em leitos de estabilização ou sob o cuidado de outros serviços disponibilizados pelo Estado. Temos a perspectiva de abrir, até a próxima semana, um conjunto de novos leitos. Estamos no processo de aquisição de equipamentos e de pessoal”, garante a Maia.
Tribuna do Norte
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