DIREITOS HUMANOS

Mulher é resgatada após 40 anos de trabalho escravo em São Paulo

Fachada de residência onde mulher foi encontrada em situação de trabalho análogo à escravidão.
Ação conjunta resgatou mulher de 50 anos que vivia em situação de exploração desde a infância. Foto:Reprodução/SSP

A vítima, que passou quatro décadas em situação de vulnerabilidade, foi submetida a serviços domésticos não remunerados desde a infância.

Uma mulher de 50 anos foi resgatada de uma situação de trabalho análogo à escravidão em uma ação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MPSP), da Polícia Federal (PF) e da Polícia Civil. O resgate ocorreu na quinta-feira (27/08), na zona leste da capital paulista, após denúncias detalharem quatro décadas de exploração e privação de liberdade.

Segundo a investigação conduzida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), a vítima ingressou na residência ainda aos 10 anos de idade. Sob a justificativa de que teria moradia garantida, a mulher foi submetida a uma rotina exaustiva de serviços domésticos, que incluíam desde o preparo de refeições até a limpeza pesada e jardinagem, sem jamais receber qualquer remuneração ou ter seus direitos trabalhistas assegurados.

O relato da vítima expõe um ciclo de vulnerabilidade iniciado na infância. A mulher descreveu que, durante anos, sua jornada era interrompida apenas pelo período escolar, retornando ao trabalho doméstico logo após as aulas. O cenário de precariedade era agravado pelas condições de habitação: ela vivia em um local insalubre, com mofo e infestação de cupins, no mesmo terreno dos empregadores. Há dez anos, a vítima vivia sob restrição de liberdade, sem possuir as chaves do imóvel e dependente de terceiros para se alimentar.

Além da exploração domiciliar, a investigação revelou que, entre 2012 e 2020, a mulher foi utilizada como mão de obra irregular em um consultório odontológico da família. Durante esse período, ela acumulou funções de limpeza, secretariado e auxílio em procedimentos cirúrgicos. Segundo os autos, o pagamento era irrisório, com valores mensais que raramente ultrapassavam R$ 800 e eram frequentemente atrasados.

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