CRIME E CORRUPÇÃO

MPPB denuncia delegado e policiais por desvio e venda de drogas

Fachada do Ministério Público da Paraíba com viaturas policiais ao fundo.
Denunciados teriam utilizado a estrutura do Estado para o comércio ilícito de entorpecentes.

Grupo é acusado de subtrair 100 kg de entorpecentes apreendidos e comercializar o material, inclusive dentro de unidades prisionais.

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) denunciou um delegado e dois investigadores da Polícia Civil por envolvimento no desvio e na venda de cerca de 100 quilos de entorpecentes. A formalização da acusação ocorreu na última sexta-feira (24/7), após investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco).

A denúncia aponta que os agentes públicos utilizavam a estrutura e o poder inerentes aos seus cargos para desviar drogas apreendidas em operações policiais. O esquema envolvia incursões clandestinas para a subtração do material, que era posteriormente comercializado — chegando, inclusive, a abastecer o sistema prisional. O desvio de conduta não apenas compromete a segurança pública, mas também viola o juramento de proteção à sociedade, exacerbando a sensação de vulnerabilidade social diante da criminalidade interna.

Os envolvidos respondem por crimes como furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual. Segundo o Ministério Público, o grupo manipulava registros oficiais para conferir um manto de legalidade às ações ilícitas, além de repassar informações sigilosas a traficantes locais.

Como medida reparatória, o Gaeco solicitou à Justiça a perda dos cargos públicos dos denunciados e o pagamento de uma indenização por danos morais coletivos, fixada em R$ 1 milhão por denúncia. O órgão também pleiteia o confisco de bens, veículos e ativos financeiros que totalizam R$ 3,1 milhões, montante calculado com base no valor de mercado da droga desviada e no patrimônio adquirido de forma ilícita.

O trio foi alvo da Operação Perfidus, deflagrada em 2 de junho de 2026 pelo Gaeco e pela Polícia Civil da Paraíba, por meio da Draco e da Unintelpol, no âmbito da articulação Convergência Nacional. A nomenclatura da operação, que significa "traidor" ou "desleal", remete à quebra de confiança pública cometida por agentes que deveriam zelar pela integridade das leis.

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