DIÁLOGOS SOB INVESTIGAÇÃO

Mensagens revelam questionamentos de Daniel Vorcaro a Moraes antes de prisão

Ministro do STF Alexandre de Moraes em plenário do tribunal.
Ministro do STF Alexandre de Moraes durante sessão no Supremo Tribunal Federal - Foto: Sérgio Lima/Poder360 - 8.abril.2026.

Troca de mensagens entre o banqueiro e o ministro do STF sugere busca por informações sobre diligências da PF dias antes da detenção.

O banqueiro Daniel Vorcaro consultou o ministro do STF, Alexandre de Moraes, sobre a possibilidade de deixar o Brasil apenas 2 dias antes de ser detido pela PF, em novembro de 2025. O conteúdo das interações foi revelado pelos jornalistas Felipe de Paula, Fausto Macedo e Aguirre Talento, do jornal O Estado de S. Paulo, nesta 3ª feira (01/09).

Em 15 de novembro de 2025, Daniel Vorcaro questionou o magistrado: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. O teor das mensagens remete ao período de avanço da operação Compliance Zero, que visava investigar irregularidades no Banco Master. Dois dias depois, em 17 de novembro, o empresário foi preso pela PF no Aeroporto Internacional de São Paulo enquanto tentava embarcar em um jato com destino a Malta e, posteriormente, Dubai.

A investigação, que tramitava na 1ª Instância, apurava a conduta do banqueiro no comando do Banco Master. Relatos de investigadores indicam que as mensagens extraídas do dispositivo de Daniel Vorcaro sugerem uma tentativa de antecipar movimentações judiciais ou policiais. Na véspera da prisão, em 16 de novembro, o banqueiro indagou: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.

Naquele instante, a ordem de prisão preventiva ainda não havia sido assinada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal. A autorização judicial foi formalizada apenas às 15h29 de 17 de novembro. As conversas, que remontam a 4 de novembro de 2025, mostram que Daniel Vorcaro buscava informações sobre medidas como quebras de sigilo ou buscas e apreensões, expressando preocupação com a sobrevivência financeira do Banco Master.

O acesso completo ao conteúdo das conversas é limitado, pois os envolvidos utilizavam o modo de visualização única no aplicativo de mensagens. Por esse motivo, a extração dos dados recuperou majoritariamente os questionamentos feitos pelo banqueiro, sem a totalidade das respostas de Alexandre de Moraes. Após a prisão e a subsequente liquidação do Banco Master pelo Banco Central em 18 de novembro, o processo foi remetido ao STF em dezembro de 2025, devido ao envolvimento de parlamentares com foro privilegiado.

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