MARCO LITERÁRIO BRASILEIRO

Flip 2026 encerra edição histórica com 40 mil visitantes e recordes de vendas

Multidão de leitores circulando pelas ruas históricas de Paraty durante a Flip 2026.
Público lota o centro histórico de Paraty durante a 24ª edição da Flip.

Com crescimento de 17,65% no público, evento superou desafios orçamentários e consolidou autores como Socorro Acioli e Valter Hugo Mãe entre os mais lidos.

A 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) encerrou sua programação neste domingo (26), consolidando-se como a maior da história do evento ao reunir 40 mil pessoas nas ruas do centro histórico fluminense. A marca, confirmada pela Prefeitura, representa um salto de 17,65% em relação ao público do ano anterior, reafirmando a resiliência do encontro mesmo sob restrições orçamentárias.

Entre os dias 22 e 26 de julho, a cidade respirou literatura em uma edição marcada por filas monumentais e pela intensa busca por nomes consagrados. A participação da filósofa Angela Davis tornou-se o grande momento de mobilização, exigindo a transferência da mesa para o Sesc Caborê, onde centenas de leitores se reuniram para ouvir a ativista, enquanto outros milhares de visitantes se dividiam entre as 46 casas parceiras espalhadas pelo município.

O impacto cultural foi traduzido nos balcões da Livraria da Travessa, operadora oficial da Flip. Obras como 'O Século dos Imbecis', de Valter Hugo Mãe, e 'Amar é Inadiável', de Socorro Acioli, lideraram o ranking de vendas. A homenageada Orides Fontela também figurou entre os nomes mais procurados, demonstrando a força da memória literária na conexão com os novos leitores. A programação principal, por sua vez, garantiu encontros memoráveis, como o diálogo entre o médico Drauzio Varella e a alemã Carmen Stephan.

Apesar do sucesso de público, a logística enfrentou sobressaltos. Uma falha de energia elétrica atingiu o centro histórico na noite de quinta-feira (23), contornada pela organização com o uso de geradores para manter as atividades em curso. Além disso, a gestão do evento lidou com uma captação via Lei Rouanet inferior à de 2025, totalizando R$ 3,35 milhões até o momento, em um custo total de produção de R$ 11,7 milhões.

Para os participantes, a experiência superou as limitações estruturais. A diversidade de vozes, que incluiu desde a inglesa Zadie Smith até a ministra Cármen Lúcia, reforçou o papel da Flip como um espaço democrático de troca. Mesmo com a ausência de recursos como a tradução simultânea via fone de ouvido para o público externo, o evento reafirmou sua relevância como termômetro da cena literária nacional e internacional.

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