Prefeitura do Natal estuda opções para Mercado das Rocas, que vê estrutura ruir sem uso

Prefeitura do Natal estuda opções para Mercado das Rocas, que vê estrutura ruir sem uso
FOTO: CEDIDA

A Prefeitura do Natal estuda uma estratégia para reativar o Mercado das Rocas. Localizado na Zona Leste da cidade, o espaço está subutilizado desde que foi reinaugurado, em 2016, e atualmente conta com apenas seis boxes funcionando, de um total de 83 construídos. Com a falta de uso, os sinais da deterioração já são visíveis no prédio – o que indica a necessidade de uma nova reforma.

O AGORA RN constatou que o prédio está repleto de infiltrações. O revestimento das paredes está caindo em vários boxes e também na área comum. Além disso, há vazamentos e outras falhas na estrutura, como calçada quebrada. Com as recentes chuvas, outro problema apareceu: um alagamento em um dos acessos ao mercado – prejudicando ainda mais a movimentação, que já é fraca. Quando a reportagem visitou o espaço, no início desta semana, não havia nenhum cliente.

Comerciantes costumam argumentar que não têm interesse de ocupar os boxes devido à baixa movimentação de clientes. Os permissionários presentes no local pagam apenas a energia elétrica consumida. A Prefeitura dispensou pagamento de taxa adicional, apesar da previsão contratual.

Diretor técnico da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), Tarcísio Gonçalves registra que a situação é paradoxal: os permissionários não querem ocupar o mercado por falta de clientes e não há clientes porque não há comerciantes no local. A Prefeitura já fez dois chamamentos recentes, mas os comerciantes que venceram a última licitação não foram ocupar os seus boxes. Com isso, eles perderam o direito de usar o espaço.

O secretário municipal Arthur Dutra, da pasta de Concessões, Parcerias, Empreendedorismo e Inovações (Sepae), afirma que está em estudo um novo formato para a ocupação do Mercado das Rocas. Ele não descarta a formalização de uma parceria público-privada (PPP), para que um operador privado passe a administrar o espaço, ou até mesmo um novo chamamento público para ocupação dos boxes, com regras mais atrativas para os comerciantes.

“A gente está analisando os dados, todo o contexto do mercado, para ver o caminho que vamos tomar, decidir a forma de ocupar. Vamos fazer esse diagnóstico e levar para o prefeito Paulinho Freire, para que seja tomada a decisão. Estamos agora levantando as informações”, afirma Arthur Dutra.

Sobre a condição do prédio, o secretário reconheceu que há problemas. Ele afirma que, na próxima semana, fará uma visita técnica para vistoriar a estrutura e verificar sobre a possível necessidade de reforma. A avaliação será feita em conjunto com o secretário Felipe Alves, da pasta de Serviços Urbanos (Semsur) – que administra mercados públicos na cidade.

Memória

Localizado no cruzamento da Avenida Duque de Caxias com a Travessa São Pedro, o Mercado das Rocas tem tradição centenária. Leva o nome de Francisca Barros de Morais, uma homenagem a Dona Chiquinha, da Peixada da Comadre, que contribuiu com o turismo e com a culinária de Natal.

Em 2008, o espaço foi fechado para uma ampla reforma, que foi concluída no início de 2016, pela gestão do então prefeito Carlos Eduardo. O local, porém, ficou subutilizado, e os comerciantes atribuíram o problema ao forte calor dentro do prédio. Uma nova reforma, desta vez para adequação térmica, foi feita entre 2019 e 2020, na gestão de Álvaro Dias.

Com a falta de movimentação, a maioria dos proprietários e permissionários sequer retornou ao local para trabalhar, fruto da baixa expectativa dos comerciantes em relação às vendas no mercado.

Estrutura

O Mercado das Rocas tem 3.715,6 mil m² de área construída e conta com dois andares, 83 boxes, sendo 23 destinados a antigos proprietários e 57 disponibilizados através de licitação, além da administração. Os vencedores da licitação não ocuparam o espaço, apesar de a Prefeitura dispensá-los da taxa.

Além dos boxes, a estrutura abrange um elevador, duas escadas, quatro entradas, quatro banheiros, dois vestiários e um fraldário, todos totalmente adaptados para pessoas com deficiência. Além dos boxes, o mercado tem espaço para caixas eletrônicos, dois balcões de informações, sistema interno de monitoramento eletrônico, zona de Wi-Fi, vigias e auxiliares de limpeza permanentes.

Agora RN

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