ESTADOS EM ALERTA FISCAL

XP Investimentos projeta déficit de R$ 6 bilhões em estados brasileiros em 2026, com RN entre os piores cenários

Governadoria do Rio Grande do Norte
Governadoria do RN – Foto: Demis Roussos

Projeção da XP Investimentos aponta para um rombo de R$ 6 bilhões em 2026, revertendo superávit anterior. O Rio Grande do Norte é destacado como um dos casos mais críticos em liquidez.

Projeções da XP Investimentos indicam que os estados brasileiros deverão encerrar 2026 com um déficit fiscal de R$ 6 bilhões. Este cenário representa uma reversão significativa em relação ao superávit de R$ 6,6 bilhões registrado em 2025. A análise, divulgada pelo portal O Globo, revela que, até abril de 2026, a despesa total dos estados apresentou um crescimento real de 6,5% acima da inflação, o dobro do aumento real da arrecadação, que foi de 3,3%.

Segundo o economista da XP Tiago Sbardelotto, a deterioração fiscal é atribuída a três fatores principais: o esgotamento das reservas de caixa acumuladas em 2025, o aumento das operações de crédito impulsionado pelo Programa de Pleno Pagamento de Dívidas (Propag) e a aprovação da PEC dos Precatórios. Esta última medida ampliou o prazo para pagamento de dívidas judiciais de 60 para 300 meses, impactando o fluxo de caixa futuro.

O Rio Grande do Norte (RN) desponta como o caso mais preocupante em termos de fluxo de caixa, conforme Sbardelotto. O estado encerrou 2025 com um caixa negativo de R$ 3 bilhões e figura entre as unidades federativas com a pior situação de liquidez do país. Apesar de um nível de endividamento considerado baixo, o RN ostenta a nota C no índice de capacidade de pagamento do Tesouro Nacional, reflexo direto dos seus desafios de liquidez.

O RN integra o grupo de estados que já projetam fechar 2026 com as contas no vermelho, juntamente com Tocantins, Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul. Um levantamento da XP detalha que Maranhão (com 21,4% de alta na despesa contra 8,9% de expansão da receita), Rio Grande do Norte (gastos subiram 17,7% ante 5,3% de arrecadação) e Mato Grosso (16,6% de aumento de gastos contra 4,9% de alta de receita) são os estados que estão gastando mais do que arrecadando neste ano.

Em contrapartida, estados como Minas Gerais iniciaram 2026 com caixa negativo de R$ 11 bilhões. Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul acumulam dívidas equivalentes a 1,9 vez e 2,2 vezes suas receitas correntes, respectivamente. Na outra ponta, o Espírito Santo demonstra solidez fiscal, com nota A no Tesouro Nacional e alta capacidade de investimento, servindo como contraponto positivo.

O Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), sancionado em janeiro de 2025, permite o parcelamento das dívidas estaduais em até 30 anos, com juros passíveis de zerar, descontada a inflação. Quase 80% dos entes federativos, incluindo o Rio de Janeiro, já aderiram ao programa, que exige como contrapartida investimentos em educação, saúde e segurança pública.

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