RANKINGS UNIVERSITÁRIOS EM QUEDA
Universidades brasileiras perdem posições em rankings globais, com destaque para o Rio de Janeiro
Relatório do Center for World University Rankings (CWUR) de 2026 aponta recuo significativo no desempenho em pesquisa das instituições federais fluminenses, enquanto USP e Unicamp também veem suas posições diminuírem.
O desempenho das universidades brasileiras em rankings internacionais de prestígio mostra uma tendência de queda, segundo a edição de 2026 do Center for World University Rankings (CWUR), divulgada nesta semana. A maior preocupação recai sobre as instituições federais do Estado do Rio de Janeiro, que registraram um recuo acentuado em seus indicadores de pesquisa, componente crucial que responde por 40% da pontuação total do ranking.
O ranking, que avalia instituições de ensino superior globalmente, utiliza sete indicadores agrupados em quatro dimensões principais: qualidade da educação (25%), empregabilidade (25%), qualidade do corpo docente (10%) e pesquisa (40%). Esta última dimensão considera a produção científica, publicações de alta qualidade, influência e impacto por citações.
A análise dos resultados de 2026 revela que, enquanto a USP manteve uma posição de destaque em pesquisa, as demais instituições brasileiras mais bem classificadas, incluindo a Unicamp e a UFRJ, observaram uma diminuição em suas colocações, especialmente no quesito pesquisa.
A Universidade de São Paulo (USP) ficou na 82ª posição mundial em pesquisa, enquanto a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apareceu na 340ª e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na 407ª. O retrocesso da UFRJ foi de 14 posições em relação a 2025.
O cenário é ainda mais crítico para outras instituições fluminenses. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) caiu 20 posições, da 634ª para a 654ª; a UERJ recuou 17 posições, de 833ª para 850ª; e a Universidade Federal Fluminense (UFF) perdeu 23 posições, indo da 938ª para a 961ª.
Em contrapartida, universidades paulistas, embora também tenham perdido posições, apresentaram quedas menos expressivas em magnitude. A UFRGS manteve sua posição estável, enquanto a USP foi a única a melhorar sua colocação no indicador de pesquisa entre 2020 e 2026.
A diferença de desempenho entre as instituições do Rio de Janeiro e de São Paulo coincide com períodos de instabilidade no financiamento à pesquisa no estado fluminense, contrastando com a trajetória de crescimento e previsibilidade orçamentária da Fapesp em São Paulo. Essa disparidade pode impactar a capacidade de sustentação da competitividade científica a longo prazo.
Especialistas apontam que a ciência é uma política de Estado e que a inovação é uma consequência direta de investimentos consistentes em pesquisa básica e aplicada. A recente garantia do descontingenciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) é vista como um passo positivo, mas é fundamental que os investimentos fortaleçam efetivamente a pesquisa de ponta e a formação de novos pesquisadores.
O desafio para o Brasil reside em fortalecer simultaneamente a pesquisa básica, a pesquisa aplicada e a inovação, reconhecendo que essas dimensões são complementares e essenciais para o desenvolvimento sustentável do país. Sem uma base científica robusta e competitiva internacionalmente, a capacidade de inovação almejada a longo prazo dificilmente será alcançada.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário