CRIME CONTRA VULNERÁVEIS

Tribunal de Berlim condena médico Johannes M. à prisão perpétua por 15 assassinatos

Tribunal Regional de Berlim durante a leitura da sentença de Johannes M.
Após julgamento de quase um ano, tribunal proferiu a sentença — Foto: Bernd von Jutrczenka/dpa/picture alliance

Decisão do Tribunal Regional de Berlim reconhece gravidade excepcional em crimes cometidos contra pacientes sob cuidados paliativos entre 2021 e 2024.

O Tribunal Regional de Berlim sentenciou o médico especializado em cuidados paliativos Johannes M., de 41 anos, à prisão perpétua, a pena mais rigorosa prevista na Alemanha, pelo assassinato de 15 pacientes. A decisão, oficializada nesta sexta-feira, 10/07/2026, foi fundamentada na excepcional gravidade dos atos, que envolveram a administração de substâncias letais sem o consentimento das vítimas entre setembro de 2021 e julho de 2024.

A sentença, que ainda admite recurso, impõe ao réu uma proibição vitalícia do exercício da medicina e determina sua permanência em regime de detenção. Durante o julgamento, que se estendeu por quase um ano, a juíza Sylvia Busch classificou Johannes M. como um assassino em série, cujas ações devastaram famílias e quebraram a confiança fundamental entre profissional de saúde e paciente.

Embora o réu tenha alegado, após um longo silêncio, que seus atos visavam poupar os enfermos de sofrimento, a magistrada rechaçou categoricamente a tese de eutanásia. Segundo a corte, o que movia o profissional eram sentimentos de onipotência e um desejo de controle sobre a vida alheia. Muitas das vítimas, com idades entre 25 e 94 anos, ainda apresentavam perspectiva de vida e não estavam em estágio terminal iminente.

A gravidade da conduta é evidenciada pelo caso de uma jovem de 25 anos, em tratamento oncológico, que foi assassinada na presença do filho de 3 anos do próprio médico. Além dos 15 homicídios confirmados, o Ministério Público investiga outros 76 óbitos suspeitos que podem estar relacionados à atuação do réu.

As investigações policiais foram iniciadas a partir de indícios de incêndios provocados pelo condenado para encobrir as mortes. Desde o início de agosto de 2024, Johannes M. encontra-se sob custódia preventiva, aguardando os desdobramentos dos novos processos que podem surgir à medida que as apurações avançam.

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