CRISSE NO SISTEMA

Superlotação atinge 11 das 13 UPAs do Distrito Federal com ocupação crítica

Fachada da UPA Ceilândia II em dia de atendimento
UPA Ceilândia II, imagem de arquivo. — Foto: Agência Brasília/Reprodução

Dados do Ministério Público do Distrito Federal revelam que unidades operam com 177% da capacidade, forçando pacientes a esperarem por internação hospitalar.

A rede de saúde do Distrito Federal enfrenta um cenário de colapso estrutural, com 11 das 13 Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) operando acima da capacidade regular de acomodação. O diagnóstico foi emitido em 09/07/2026 pelo Ministério Público do Distrito Federal, que alerta para o impacto direto dessa superlotação na dignidade dos pacientes que buscam socorro urgente.

Ao todo, as unidades somam 185 leitos regulados, mas a taxa de ocupação atingiu o índice alarmante de 177% nesta semana. Enquanto a estrutura original foi desenhada para atendimentos de estabilização rápida, a realidade aponta que o tempo médio de permanência dos pacientes chega a 3,7 dias, ultrapassando em muito o limite recomendado de 24 horas estabelecido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

A situação é mais grave na UPA Ceilândia II, que registrou ocupação de 400%. Outras unidades, como Gama (244%), Núcleo Bandeirante (242%) e Ceilândia (238%), também operam sob pressão extrema. Apenas Sobradinho e São Sebastião mantiveram taxas abaixo da lotação máxima em 09/07/2026.

O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF) reconhece que a permanência de pacientes que aguardam leito hospitalar após a estabilização clínica é o principal fator de sobrecarga. Em nota oficial, o instituto justificou que utiliza leitos extras para garantir a continuidade do cuidado, mas reforçou que as UPAs, originalmente, não deveriam funcionar como unidades de internação.

Para mitigar o problema, o Iges-DF afirma atuar em conjunto com a Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal na agilização das transferências pela Central de Regulação. Entre as medidas a médio prazo, está prevista a construção de sete novas UPAs Porte III no Distrito Federal, visando redistribuir a alta demanda que hoje compromete a Rede de Urgência e Emergência.

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