RISCO AO CAFÉ

Sobretaxa de 25% dos EUA ameaça liderança do café solúvel do Brasil

Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé
Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, defende atuação estratégica em Washington e Bruxelas.

Diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, alerta que imposição de tarifa deslocará investimentos para concorrentes como Vietnã e México

A indústria nacional de café enfrenta um momento decisivo que pode alterar o curso de seis décadas de liderança no mercado global. A possibilidade de os Estados Unidos imporem uma tarifa de 25% sobre o café solúvel brasileiro, debatida no âmbito da Investigação 301, coloca em risco a competitividade do produto nacional e ameaça a estabilidade de investimentos no setor, conforme afirmou Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, em entrevista ao Poder360 neste sábado, 11/07/2026.

O setor trabalha para que o café solúvel seja integrado à lista de exceções da medida comercial norte-americana. Embora o café verde já conte com sinalizações de isenção, a exclusão do produto industrializado preocupa os exportadores. Segundo Marcos Matos, a ausência de uma definição favorável pode forçar a migração de fábricas para países como o Vietnã ou o México, este último beneficiado por tarifas zero em acordos bilaterais com Washington.

O impacto econômico dessa medida seria expressivo, dado que o mercado norte-americano movimenta cerca de US$ 250 milhões anuais para o setor. O Cecafé estima que a manutenção das taxas travaria um potencial de expansão de 45% nas exportações. "O risco é perdermos uma liderança construída ao longo de cerca de 60 anos", advertiu o executivo, destacando que a restrição também pressionaria os custos para o consumidor final nos Estados Unidos.

Apesar do avanço das discussões técnicas, que progrediram desde setembro de 2025, a resolução final depende de um desfecho político entre os governos, esperado para até 15 de julho de 2026. Paralelamente, o Cecafé mantém atenção às barreiras na União Europeia, onde a taxação de 9% sobre o café industrializado brasileiro limita a competitividade em um mercado que consome US$ 7 bilhões anualmente.

Para enfrentar as oscilações geopolíticas e as preocupações com o clima — como a possível influência do El Niño na safra de 2027 — Marcos Matos defende que o Brasil abandone o posicionamento reativo. O executivo prega a "diplomacia do setor privado", com presença contínua em centros como Washington e Bruxelas para garantir que a qualidade e a sustentabilidade do café brasileiro sejam reconhecidas como pilares de segurança econômica global.

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