TEMOR COM CASA BRANCA
Setor produtivo teme repercussão de falas de Flávio Bolsonaro na Casa Branca
A fala do senador Flávio Bolsonaro em audiências nos EUA pode motivar novas retaliações comerciais, segundo representantes do setor produtivo brasileiro. Órgão técnico dos EUA pode não ser influenciado, mas incertezas persistem.
Representantes do setor produtivo brasileiro participaram, nesta quinta-feira, 09/07/2026, de audiências públicas do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos). O mercado financeiro e presidentes de associações de produtos impactados por tarifas temem que o discurso do senador Flávio Bolsonaro (PL – RJ) motive novas "surpresas" da Casa Branca, apesar de avaliarem o impacto direto no órgão técnico como limitado.
O USTR sugeriu uma tarifa de 25% às exportações brasileiras após a investigação comercial aberta contra o país, em julho do passado. A medida veio após Donald Trump anunciar retaliações sob a alegação de perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Há um consenso no setor privado de que o discurso do pré-candidato do PL à Presidência, classificado como "político", "frustrante", "eleitoreiro" e "marqueteiro", não deve repercutir diretamente no USTR, por se tratar de um órgão técnico. A ausência de integrantes do governo Lula nas audiências aumentou essa preocupação. O Planalto optou por enviar representantes apenas como observadores a Washington.
A decepção com as falas de Flávio Bolsonaro decorreu principalmente da ausência de citações a setores mais impactados e aos efeitos econômicos para ambos os países. Esse foi o caminho seguido por representantes de associações que discursaram nos dois dias de audiência. Outros integrantes do setor produtivo, contudo, afirmaram não esperar "nada de diferente" do senador.
Em sua intervenção, Flávio Bolsonaro abordou temas como corrupção, citando o mensalão e o caso Master. Também fez menção ao STF (Supremo Tribunal Eleitoral).
IMPACTO NAS ELEIÇÕES
Para os presentes nas audiências, a avaliação é que Flávio Bolsonaro perdeu a oportunidade de se apresentar como um "estadista" e que busca apenas "levar o crédito". A participação do senador, segundo eles, falhou como resposta às críticas de governistas que atribuem à família Bolsonaro as tarifas impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), contra o Brasil. O impacto para a candidatura é considerado mais negativo do que positivo.
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