AGRICULTURA EM FOCO

Senado destina R$ 30 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal para renegociar dívidas do agro

Reunião deliberativa da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado em 27 de maio de 2026.
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal durante reunião deliberativa em 27 de maio de 2026.

Aprovado na CAE, projeto de lei propõe crédito para agricultores afetados por adversidades climáticas e conflitos geopolíticos. Juros e prazos diferenciados buscam amenizar o impacto na dignidade do produtor rural.

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado decidiu, na última segunda-feira, 27 de maio de 2026, liberar R$ 30 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal para renegociar dívidas de agricultores. A medida visa amparar produtores rurais que enfrentam dificuldades financeiras devido a eventos climáticos extremos, como o fenômeno El Niño, e impactos econômicos oriundos de conflitos geopolíticos internacionais. A decisão é de grande relevância para a dignidade e a sustentabilidade da agricultura familiar e de pequenos e médios produtores, que sofrem com a instabilidade climática e o cenário global.

O projeto de lei, que tramita desde 2023 e recebeu relatoria do senador Renan Calheiros (MDB-AL), ainda enfrentará votação no plenário do Senado, prevista para a quarta-feira, 10 de junho de 2026. Caso aprovado, o texto busca oferecer um alívio financeiro crucial, com juros que variam de 3,5% a 7,5% ao ano, e prazos de pagamento que podem se estender por até 10 anos, com possibilidade de até 3 anos de carência em casos específicos. Essa renegociação abrange dívidas contratadas até 31 de dezembro de 2025, com o objetivo de recalcular débitos sem a incidência de multas, juros de mora e outros encargos de inadimplência, proporcionando um recomeço financeiro mais justo.

Reunião deliberativa da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado em 27 de maio de 2026.
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal durante reunião deliberativa em 27 de maio de 2026.

A proposta original, de autoria do deputado Domingos Neto (PSD-CE), focava em produtores afetados por calamidades naturais. No entanto, o texto foi ampliado para contemplar também os impactos de crises internacionais, reconhecendo a complexidade dos desafios enfrentados pelo setor agropecuário. O Fundo Social do Pré-Sal, regulamentado pela Lei 12.351 de 2010, é uma fonte de recursos provenientes da exploração de petróleo, destinada a financiar projetos em áreas estratégicas como educação, saúde e meio ambiente. A sua utilização para o agronegócio demonstra a urgência em proteger um setor vital para a economia e a segurança alimentar.

Condições e Beneficiários da Renegociação

Os recursos poderão ser utilizados para quitar débitos de crédito rural, empréstimos e Cédulas de Produto Rural (CPRs) contraídos até o final de 2025. Os beneficiários incluem produtores rurais, associações, cooperativas e condomínios que comprovem perdas significativas em suas safras, redução de renda bruta ou que estejam localizados em municípios declarados em estado de emergência ou calamidade pública. A análise de perdas se estende de 2019 a 2025, com um período diferenciado de 2012 a 2025 para a área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Essa abrangência visa garantir que a ajuda chegue a quem realmente necessita, protegendo a subsistência de milhares de famílias.

O limite global de crédito estabelecido é de R$ 30 bilhões, podendo ser operado por instituições financeiras como o BNDES, bancos e cooperativas de crédito. O valor máximo por beneficiário é de R$ 10 milhões, e para associações ou cooperativas, R$ 50 milhões. Além do Fundo Social do Pré-Sal, a proposta autoriza o uso de outros fundos constitucionais, como FNO, FNE e FCO, e o Funcafé, caso os recursos do Fundo Social se esgotem. A iniciativa também prevê a prorrogação de parcelas por 180 dias, suspensão de cobranças e impedimento de inclusão em cadastros de inadimplentes durante esse período, oferecendo um respiro financeiro imediato.

Emendas e Pressão do Setor

O texto original sofreu modificações por meio de emendas. Uma delas ampliou o prazo para contratação das operações de crédito, enquanto outras buscaram diversificar as fontes de financiamento e aprimorar os mecanismos de alongamento de dívidas. Houve também a inclusão de autorização para a União ampliar sua participação no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), com o intuito de cobrir as operações de crédito para renegociação de dívidas rurais. A discussão contou com forte articulação da bancada ruralista, que pressionou o governo por mais recursos, com estimativas que chegaram a R$ 170 bilhões, dependendo das fontes adicionais de financiamento. A transparência nos dados das renegociações e a proteção contra restrições infralegais também foram pontos de atenção.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário