ALERTA NUTRICIONAL
Rio Grande do Norte registra 81 mil crianças com excesso de peso em 2025
Dados do SISVAN revelam que 39% das crianças potiguares de 0 a 9 anos apresentam sobrepeso, um indicativo de que o problema se tornou um desafio coletivo de saúde pública.
Mais de 81 mil crianças potiguares, na faixa etária de 0 a 9 anos, foram diagnosticadas com excesso de peso no ano de 2025. A decisão de divulgar esses dados foi tomada pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), do Ministério da Saúde, como forma de alertar sobre a crescente incidência do problema no Rio Grande do Norte. O percentual aponta que 39 em cada 100 crianças avaliadas na região apresentam sobrepeso, um número que acende um sinal de alerta sobre a saúde infantil no estado.
Em âmbito nacional, o Panorama de Obesidade Infantil e Adolescente, também com base em informações do SISVAN, contabilizou 1,1 milhão de crianças com obesidade e outras 783 mil com obesidade grave. Esses indicadores revelam que 8,94% das crianças de 0 a 9 anos no Brasil enfrentam obesidade, enquanto 5,97% convivem com a forma grave da condição. Apesar de a maioria das crianças brasileiras avaliadas apresentar peso adequado (62,8% do total acompanhado), aproximadamente 37% lidam com algum tipo de alteração nutricional relacionada ao excesso de peso, o que demonstra a relevância do tema.
A Organização Nacional de Acreditação (ONA), aproveitando o Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, celebrado nesta quarta-feira, 03/06/2026, busca intensificar o debate sobre a prevenção e a promoção de hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida. A iniciativa visa destacar a importância de ações contínuas para reverter um cenário preocupante.
Segundo o Atlas Global da Obesidade e dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil corre o risco de figurar na quinta posição entre os países com maior número de crianças e adolescentes obesos até 2030. O levantamento alerta que, sem a implementação de medidas eficazes, as chances de reverter essa tendência são de apenas 2%, evidenciando a urgência da situação.
A pediatra Mariana Grigoletto, membro da ONA, ressalta que os números refletem um problema que transcende o individual, tornando-se um desafio de saúde pública. "Os dados revelam que a obesidade infantil deixou de ser uma situação isolada e se tornou um importante desafio para a saúde pública. Além de ter consequências nos primeiros anos de vida, o excesso de peso na infância pode aumentar significativamente o risco de doenças crônicas na adolescência e na vida adulta, o que reforça a importância da prevenção e do acompanhamento precoce", afirma.
As consequências do excesso de peso na infância são multifacetadas e podem incluir o desenvolvimento de diabetes tipo 2, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares. Ademais, os impactos emocionais e psicológicos, como baixa autoestima e maior vulnerabilidade ao bullying, afetam diretamente a dignidade e o bem-estar dos jovens.
O acompanhamento pediátrico regular é apontado pela especialista como ferramenta crucial para a identificação precoce de alterações. "É fundamental que as crianças sejam acompanhadas por um pediatra. Quando identificamos alterações no peso e nos hábitos da criança logo no início, podemos intervir antes que a situação piore. Com as orientações certas, é possível evitar que a obesidade aconteça na vida adulta e diminuir os riscos de doenças relacionadas, tornando uma vida mais saudável ao longo do tempo", explica Mariana Grigoletto.
A prevenção também se estende à adoção de hábitos alimentares saudáveis, priorizando alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, legumes e verduras. A redução do consumo de ultraprocessados e bebidas açucaradas, aliada à prática regular de atividades físicas e ao controle do tempo de tela, compõe um plano de ação essencial para a saúde infantil.
Mudanças no padrão alimentar infantil, com o aumento do consumo de ultraprocessados e bebidas açucaradas à medida que as crianças crescem, segundo dados do SISVAN, indicam uma deterioração gradual da qualidade da alimentação. "Formar hábitos saudáveis desde cedo é um fator decisivo para evitar o desenvolvimento da obesidade e de outras doenças associadas. Embora a predisposição genética também possa influenciar no desenvolvimento da condição, os hábitos de vida e o ambiente em que a criança está inserida têm papel fundamental na prevenção e no controle da obesidade infantil", conclui a pediatra.
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