ALERTA CLIMÁTICO NO RN

Rio Grande do Norte enfrenta seca e avanço do Atlântico até 2100

Estudo aponta para seca extrema, desertificação no Seridó e recuo de até 1,6 metro anual do litoral potiguar se medidas preventivas não forem adotadas.

O futuro do Rio Grande do Norte, até 2100, desenha um cenário preocupante de seca extrema e avanço do Oceano Atlântico sobre o litoral, com potencial para alterar drasticamente a geografia do estado. A previsão, embasada por análises climáticas globais, indica riscos de desertificação no Seridó, destruição de falésias e o desaparecimento de rios, a menos que sejam implementadas, em tempo, medidas urgentes de preservação e manejo sustentável. A pesquisa, que associa estudos de instituições como a Universidade de Oxford, o IPCC, o INPE e o CEMADEN, destaca a necessidade de ações como reflorestamento, transição para energias limpas e garantia de segurança hídrica através da dessalinização e reuso da água.

Um consórcio de renomadas instituições científicas, incluindo a Universidade de Oxford no Reino Unido, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o World Justice Project (WJP) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), colaborou em um estudo que projeta alterações nos padrões de chuva no Brasil até o ano de 2100. Os diagnósticos preventivos, gerados a partir de dados de mais de 140 países, servem de base para decisões de chefes de Estado, do Banco Mundial e investidores internacionais.

Impactos previstos para o RN

No Rio Grande do Norte, a projeção aponta para um aumento médio de temperatura de até 4.5 graus Celsius. A região semiárida poderá enfrentar o colapso de seus rios, com a desertificação avançando no Seridó potiguar, que pode registrar um índice de aridez inferior a 0,20. O litoral do estado está sob ameaça de transformações radicais, com estimativas de recuo da linha costeira entre 1,2 e 1,6 metro por ano. Isso agrava a vulnerabilidade de praias como Muriú, Porto Mirim, Pitangui e Graçandu, ecossistemas frágeis de áreas arenosas e baixa topografia. A força crescente das ondas intensifica a erosão em cartões-postais como as falésias de Pipa, Tibau do Sul e Cotovelo. A chamada “Costa Branca”, que abrange Macau, Porto do Mangue, Areia Branca e Galinhos, é identificada como a área mais exposta, com o mar podendo avançar quilômetros e comprometer a produção de sal. Na região metropolitana de Natal, o avanço em Ponta Negra, Praia do Meio e Areia Preta ameaça diretamente a área urbana, elevando o risco de salinização e contaminação de aquíferos de água doce.

Otimismo na transição energética e hídrica

Em contrapartida, um dado otimista é a consolidação do estado como um polo de matrizes energéticas limpas, mesmo diante dos impactos severos das estiagens. Até 2100, espera-se que a produção de energia eólica migre para o mar, com a instalação de gigantescos parques offshore. Adicionalmente, a necessidade de superar o desafio do desabastecimento hídrico impulsionará a dessalinização em massa. Essa tecnologia não só garantirá o abastecimento de água, mas também sustentará o promissor e bilionário polo de exportação de hidrogênio verde, posicionando o Rio Grande do Norte no centro da economia global do futuro.

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