POTENCIAL ENERGÉTICO
Rio Grande do Norte debate como alavancar potencial em energias renováveis para gerar indústria e empregos
Evento em Natal discute estratégias para transformar a liderança do Brasil em energias renováveis em desenvolvimento industrial, com foco em eólica offshore e hidrogênio verde. Especialistas de diversos países participam.
O Rio Grande do Norte e o Brasil estão diante de uma oportunidade estratégica para converter sua liderança na geração de energias renováveis em uma nova etapa de industrialização sustentável, com a criação de indústria, empregos e desenvolvimento econômico. A avaliação foi apresentada pelo professor Mario González, doutor em Engenharia de Produção e coordenador do Brazil Offshore Wind & Power-to-X (BOWPX), evento que iniciou em Natal nesta terça-feira, 02/06/2026.
González abriu os trabalhos do evento, que reúne representantes do governo, universidades, setor produtivo, instituições financeiras e especialistas nacionais e internacionais. Ele enfatizou que o país já demonstrou capacidade de gerar energia renovável em larga escala, e o desafio agora é transformar esse potencial em desenvolvimento industrial, emprego, renda e descarbonização.

O congresso, que segue até quarta-feira, 04/06/2026, no Serhs Natal Grand Hotel & Resort, na Via Costeira, foca em discussões sobre energia eólica offshore, hidrogênio verde e tecnologias Power-to-X. Esses processos utilizam energia renovável para produzir combustíveis, fertilizantes e outros insumos industriais de baixo carbono. Especialistas do Brasil e de países como Dinamarca, Holanda, Bélgica, Reino Unido, Japão, País Basco, Filipinas e Colômbia debatem regulação, financiamento, infraestrutura, inovação tecnológica e neoindustrialização. As inscrições ainda estão abertas pela página do grupo de pesquisa Creation, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A percepção geral entre os participantes é que o Brasil possui condições privilegiadas para liderar a economia de baixo carbono. A combinação de uma matriz elétrica majoritariamente renovável, vastos recursos eólicos e solares, e localização estratégica para exportações posiciona o Nordeste como uma das regiões mais competitivas globalmente para a produção de hidrogênio verde, combustíveis sintéticos, fertilizantes verdes e outros produtos de maior valor agregado.
Durante a cerimônia de abertura, a governadora Fátima Bezerra (PT) ressaltou a liderança do Rio Grande do Norte na geração de energia eólica e a necessidade de garantir que os benefícios econômicos permaneçam no Estado. "Não basta produzir energia. Essa energia precisa gerar empregos, renda, industrialização e oportunidades para o nosso povo", declarou.
A governadora também mencionou que mais de 95% da matriz elétrica potiguar é composta por fontes limpas e renováveis. O projeto do Porto-Indústria Verde foi apresentado como uma das principais apostas para atrair investimentos na produção de hidrogênio verde, amônia verde, fertilizantes e combustíveis sustentáveis.
A estruturação de um marco regulatório para a energia eólica offshore foi outro ponto central da discussão. Karina Souza, diretora do Departamento de Transição Energética do Ministério de Minas e Energia, garantiu que o governo federal trabalha para criar um ambiente de segurança jurídica que viabilize os primeiros empreendimentos em alto-mar. "O setor offshore não está sendo construído sozinho. Estamos trabalhando com universidades, setor privado, órgãos públicos e sociedade para criar bases sólidas para essa nova indústria", afirmou.
O papel do financiamento no setor também foi amplamente abordado. Jeová de Lins Sá, superintendente estadual do Banco do Nordeste, apresentou dados que indicam o forte investimento da instituição em energias renováveis. Em 2025, o banco destinou R$ 10,75 bilhões para esses projetos, com cerca de R$ 1,45 bilhão aplicados no Rio Grande do Norte. "As renováveis serão um dos grandes motores do desenvolvimento do Nordeste. O banco continuará financiando tanto os grandes projetos estruturantes quanto os empreendimentos que fortalecem a economia regional", disse.
Darlan Santos, presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), defendeu que o Nordeste avance para atrair novas cadeias produtivas e atividades industriais, utilizando sua vantagem competitiva na produção de energia renovável.
Representantes da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern) e do Sebrae-RN também destacaram a importância da qualificação profissional e da inserção de micro e pequenas empresas nas cadeias produtivas do setor. O reitor da UFRN, Daniel Diniz, enfatizou a contribuição da universidade na formação de mão de obra especializada e no desenvolvimento de soluções tecnológicas para o setor energético, aproximando ciência, inovação e desenvolvimento regional.
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