VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇA
Prisão preventiva de pai que agrediu filha de três anos no Paraná
Decisão judicial ocorre após investigação da Polícia Civil revelar histórico de agressões contra menores; especialista reforça dever de proteção social.
A proteção da infância exige o engajamento direto da sociedade após a prisão preventiva de um homem que agrediu a filha de três anos em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná. A decisão, executada nesta quinta-feira, 09/07/2026, foi motivada pela identificação, durante as investigações da Polícia Civil (PC-PR), de um histórico recorrente de violência contra a menina e seu irmão, de cinco anos, sendo fundamental para garantir a integridade física das vítimas.
O caso ganhou visibilidade após o empresário José Fernandes intervir ao presenciar o episódio de agressão no domingo, 05/07/2026. Para a especialista em Estudos da Criança e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Juliana Prates, a atitude de Fernandes representa o exercício da cidadania que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) demanda: a responsabilidade compartilhada entre família, sociedade e Estado.
"Precisamos estar vigilantes sobre as dimensões de cuidado e prevenção. É imprescindível que a sociedade se posicione, pois as crianças, muitas vezes, tornam-se reféns de agressores que deveriam ser figuras de afeto", destaca Prates. Segundo a pesquisadora, a cultura que minimiza agressões sob o pretexto de "educação" — como palmadas e beliscões — contribui para a normalização de práticas abusivas.
Uma pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal realizada pelo Datafolha corrobora a gravidade do cenário cultural no Brasil, apontando que 29% dos entrevistados admitem o uso de violência física como método disciplinar. Esse comportamento, que a especialista define como "subjugação dos corpos infantis", encontra reflexo no episódio registrado no Paraná.
Após a denúncia formalizada pela mãe, que tomou conhecimento do crime via redes sociais, a Polícia Civil instaurou inquérito. Inicialmente, o agressor respondeu em liberdade por lesão corporal, mas a prisão preventiva foi decretada na sequência pela necessidade de resguardar as crianças. Medidas protetivas de urgência foram concedidas, e o Conselho Tutelar acompanha o atendimento psicossocial da família.
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