ELEIÇÕES NA COLÔMBIA

Presidente Petro contesta resultados preliminares da eleição na Colômbia

Gustavo Petro em uma imagem de divulgação de sua campanha.
Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, em publicação no X sobre as eleições.

Gustavo Petro afirma que só aceitará dados oficiais das comissões escrutinadoras, após pré-contagem apontar avanço de candidato da direita ao 2º turno. A disputa presidencial é marcada para 21 de junho de 2026.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, declarou que não aceitará os resultados da pré-contagem do primeiro turno das eleições presidenciais do país. Em publicação nas redes sociais, nesta segunda-feira, 01/06/2026, Petro afirmou que apenas os dados oficiais das comissões escrutinadoras, que são dirigidas por juízes, terão sua validade reconhecida. A decisão impacta a confiança no processo democrático e pode gerar instabilidade política em um momento crucial da disputa eleitoral.

A declaração ocorreu após Abelardo de la Espriella, candidato da direita, e Iván Cepeda, da esquerda e apoiado por Petro, confirmarem a passagem para o segundo turno, marcado para 21 de junho de 2026. Cepeda, que é senador pelo Pacto Histórico, busca a sucessão de Petro com o aval do atual presidente.

Com 99,94% das urnas apuradas, La Espriella obteve 43,73% dos votos, enquanto Cepeda ficou em segundo lugar com 40,91%. Paloma Valencia, também de direita, encerrou na terceira posição, com 6,92%. O primeiro turno foi realizado no domingo, 31 de maio de 2026.

Petro contestou a validade da pré-contagem divulgada pela empresa privada dos irmãos Bautista, argumentando que os dados não possuem "força vinculante" nem configuram "norma pública". Segundo o presidente, os algoritmos do software de contagem e escrutínios, que deveriam estar parados, foram alterados três vezes na última semana, adicionando 800 mil cédulas de eleitores que não constam no censo oficial.

O presidente colombiano apontou a existência de dois censos distintos: o oficial e o gerado pelo software da empresa privada, este último com um número superior de eleitores. Petro também alegou que mesas já impugnadas indicam a adição de "centenas de milhares de votos" sem a correspondência de eleitores, embora não tenha apresentado evidências concretas em sua publicação.

Na Colômbia, o processo de contagem de votos compreende duas fases. A pré-contagem, realizada na noite da eleição, não possui efeito legal. A segunda etapa é o escrutínio oficial, conduzido por comissões compostas por juízes, notários e outros funcionários públicos. Nesta fase, irregularidades são revisadas mesa a mesa, definindo o resultado com validade jurídica. "Portanto, e conforme a lei, os resultados vinculantes que o presidente atenderá e aceitará são os das comissões escrutinadoras dirigidas pelos juízes da República", ressaltou Petro.

Iván Cepeda também solicitou esclarecimentos sobre os resultados provisórios, mencionando informações sobre mesas com "votações atípicas". Sua campanha segue em processo de verificação dos dados.

Em resposta às declarações de Petro, Abelardo de la Espriella reagiu em Barranquilla, pedindo que o presidente não desconsidere os resultados e alertando sobre possíveis reações populares. "Defenderemos a democracia pela razão ou pela força", declarou o candidato.

A direita busca se reorganizar para o segundo turno. Paloma Valencia anunciou apoio pessoal a La Espriella, e o ex-presidente Álvaro Uribe confirmou que votará no candidato. A definição do eleitorado de centro, representado por Sergio Fajardo, que ficou em quarto lugar, será crucial para a etapa final da disputa.

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