ARTICULAÇÃO POLÍTICA NACIONAL

PP e União Brasil recuam de apoio nacional à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro discursa em Brasília após recuo de partidos aliados.
O senador Flávio Bolsonaro durante pronunciamento oficial na sede de seu partido, em Brasília. Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo.

Diretórios estaduais terão liberdade para decidir alianças em seus estados; desgastes internos e pressão regional motivaram o distanciamento das legendas.

Os diretórios nacionais do Progressistas (PP) e do União Brasil decidiram abrir mão de uma aliança formal em torno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. A definição, consolidada nesta sexta-feira, 10/07/2026, impõe um desafio logístico e político para o parlamentar, que terá de negociar apoios individualmente em cada estado, uma vez que as siglas optaram por liberar suas bases regionais para apoiar os candidatos que considerarem mais convenientes.

A decisão reflete um desgaste acumulado na relação entre o pré-candidato e a cúpula das duas legendas. Um dos pontos de maior atrito envolveu o presidente do PP, Ciro Nogueira, que foi alvo da Polícia Federal em maio de 2026, no âmbito da investigação sobre o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. A falta de um posicionamento público de Flávio Bolsonaro em defesa de Nogueira foi lida pela legenda como uma falha de articulação.

O cenário de tensão se agravou no início de julho de 2026, após a prisão de Márcio Canella (União), ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro. Canella foi detido no dia 8 de julho de 2026, durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne, sob a acusação de porte ilegal de arma após um fuzil ser encontrado em seu veículo. A ausência de manifestação solidária de Flávio Bolsonaro a seu aliado ampliou o incômodo na direção do União Brasil, presidido por Antonio Rueda.

Para além dos atritos pessoais, a pressão veio das bases no Nordeste. Deputados estaduais e federais da região temem que o alinhamento nacional com Flávio Bolsonaro prejudique suas próprias candidaturas locais em redutos onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém alta popularidade.

Apesar do afastamento nacional, o PP de São Paulo mantém o compromisso com o projeto de Flávio, mirando fortalecer a pré-candidatura de Guilherme Derrite, atual secretário estadual da Segurança Pública, ao Senado. Enquanto a disputa em São Paulo se acirra, a fragmentação partidária reflete a complexidade da eleição para o Senado, onde 54 das 81 cadeiras estão em jogo em 2026, com mandatos de oito anos.

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