FACÇÕES CLASSIFICADAS

Planalto mantém avaliação sobre classificação de facções brasileiras como terroristas pelos EUA

Palácio do Planalto, sede do poder executivo no Brasil.
Fachada do Palácio do Planalto, em Brasília.

Governo brasileiro não prevê recuo dos Estados Unidos na decisão de classificar PCC e CV como terroristas globais, com efeitos previstos para 5 de junho.

O governo brasileiro avalia que não há sinais de recuo por parte dos Estados Unidos na decisão de classificar as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. A classificação, anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA em 28 de maio, deve entrar em vigor a partir da próxima sexta-feira, 5 de junho. Internamente, o Planalto trabalha com a perspectiva de que esta medida não cause prejuízos imediatos à economia do Brasil.

O comunicado oficial, assinado pelo secretário Marco Rubio, detalha que o Comando Vermelho e o PCC foram designados como "Terroristas Globais Especialmente Designados". O texto destaca a violência exercida pelos grupos, que comandam milhares de membros e são responsáveis por "ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis brasileiros". A influência e as redes ilícitas dessas organizações criminosas se estendem "muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e para dentro do nosso país", conforme aponta a declaração.

Apesar de a classificação ter sido formalizada por Marco Rubio, figura que já foi alvo de críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, auxiliares do chefe do Executivo avaliam que a deliberação contou com o aval do presidente Donald Trump. Essa percepção surge em um contexto de possíveis desdobramentos diplomáticos e econômicos.

O presidente Lula confirmou sua participação no G7, evento que ocorrerá na França entre 15 e 17 de junho. A viagem abre a possibilidade de um encontro bilateral com Donald Trump, especialmente após a recente proposta de tarifas sobre produtos brasileiros e a já mencionada classificação das facções. O Brasil participa do encontro das sete maiores economias do mundo a convite da França, sendo esta a décima vez que o país figura no evento. A ocasião pode servir como plataforma para que Lula reforce a defesa da soberania nacional em um fórum internacional.

No entanto, o governo brasileiro ainda não confirmou tratativas oficiais para uma reunião entre os dois presidentes, ressaltando que a possibilidade dependerá das agendas durante o G7. No mês anterior, a Casa Branca sinalizou que Trump participaria do evento com foco em discussões sobre inteligência artificial, comércio e combate ao crime. Profissionais do governo analisam o envio de uma carta ou a realização de um telefonema de Lula a Trump, mas priorizam, por ora, as negociações em nível técnico. Um prazo importante é 15 de julho, data limite para a aplicação das tarifas propostas pelo USTR. Integrantes do Executivo demonstram otimismo quanto à capacidade de um grupo de trabalho recém-criado evitar a imposição da sobretaxa de 25%.

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