INVESTIGAÇÃO SOBRE EMENDAS

PF bloqueia R$ 119 milhões sob suspeita de interferência de Valdemar Costa Neto em emendas

Valdemar Costa Neto em foto oficial do partido.
Presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto — Foto: Beto Barata/PL/Divulgação

Decisão atinge verbas ligadas ao presidente do PL; investigação aponta que ex-deputado ditava destinos de recursos sem ter prerrogativa legal.

A Polícia Federal obteve o bloqueio de R$ 119.216.703,15 em emendas parlamentares suspeitas de terem sido manipuladas por Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL. A determinação judicial, que visa estancar o fluxo de recursos públicos sob questionamento, foi comunicada nesta sexta-feira, 10/07/2026, com base em evidências de que o dirigente, sem mandato parlamentar, exercia controle indevido sobre a indicação de verbas no Orçamento da União.

A investigação aponta que a prática envolvia a participação de três servidores da Câmara dos Deputados, utilizando o gabinete como fachada para dar aparência legal a decisões tomadas pelo presidente do PL. A estrutura do esquema foi revelada a partir da análise do celular de Mariângela Fialek, ex-assessora de Arthur Lira (PP-AL), apreendido durante a Operação Transparência em dezembro de 2025.

Nas conversas extraídas pelos investigadores, assessores tratavam Valdemar como o tomador de decisão final sobre os valores e a escolha dos municípios. Em um dos episódios registrados em 25 de agosto de 2025, um dos colaboradores questiona: "Fechou o valor do Pres Valdemar?". A resposta, seguida pelo envio de planilhas com CNPJs e destinos como "Turismo", reforçou a tese de que parlamentares eram apenas usados como "solicitantes" nominais para ocultar a origem real das indicações.

O ministro responsável pela decisão destacou a "espantosa ascendência" que o dirigente exercia sobre o orçamento público, ressaltando que tais recursos não podem ser tratados como patrimônio privado de lideranças partidárias. A suspeita principal é de peculato-desvio, crime que prevê penas de 2 a 12 anos de prisão, além de associação criminosa.

Além do bloqueio, foi ordenada a suspensão imediata de todos os pagamentos relacionados às 21 emendas identificadas até o momento. A Câmara dos Deputados possui um prazo de 10 dias, a contar desta sexta-feira, 10/07/2026, para apresentar toda a documentação interna sobre a tramitação desses repasses. A medida é cautelar e ainda cabe recurso, enquanto a investigação segue para apurar o papel de parlamentares que possam ter cedido seus nomes para viabilizar as manobras.

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