INVESTIGAÇÃO EM ANDAMENTO
PF aponta coincidência temporal entre mudanças no RioPrev e aportes bilionários no Banco Master
Mudanças na diretoria do fundo previdenciário estadual ocorreram pouco antes de aportes de quase R$ 3 bilhões no Banco Master, aponta a Polícia Federal.
A Polícia Federal (PF) identificou uma “notável coincidência temporal” entre alterações estratégicas na cúpula do RioPrevidência e o início de investimentos volumosos, que somam quase R$ 3 bilhões, feitos pelo fundo previdenciário estadual no Banco Master. As descobertas foram detalhadas em um documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), dentro do inquérito que apura as operações financeiras.
Conforme a investigação, uma série de nomeações estratégicas, ocorridas entre julho e outubro de 2023, precedeu o avanço acelerado das operações financeiras entre o RioPrevidência e a instituição bancária. Em julho daquele ano, Deivis Marcon Antunes assumiu a presidência do órgão. Posteriormente, em outubro, Eucherio Lerner Rodrigues foi designado para a Diretoria de Investimentos, enquanto Pedro Pinheiro Guerra Leal passou a atuar em área correlata.
Um fato notório destacado pela PF é que o Banco Master protocolou seu pedido de credenciamento junto ao RioPrevidência no mesmo dia da nomeação de Eucherio Lerner Rodrigues. No mesmo dia, foi iniciado um procedimento interno para analisar a solicitação de credenciamento da instituição financeira. A agilidade do processo impressionou a PF: apenas doze dias depois, um parecer interno já apontava o atendimento dos requisitos necessários para que o banco operasse com o fundo previdenciário.
Logo em seguida, iniciaram-se os primeiros aportes milionários do RioPrevidência em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. A Polícia Federal também trouxe à tona que o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) observou uma “conduta acelerada” na aprovação dessas operações. Auditorias do TCE-RJ apontaram a falta de justificativas técnicas essenciais e falhas em documentos internos cruciais para a análise dos investimentos.
Um ponto de atenção é que as aplicações foram realizadas em produtos de longo prazo, contrastando com a natureza dos recursos administrados pelo RioPrevidência, que se destinam ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos estaduais. A investigação, conduzida pela PF, compilou uma cronologia cruzando encontros registrados entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-governador Cláudio Castro com os aportes realizados. Mensagens apreendidas no celular de Vorcaro sugeririam que liberações de valores poderiam depender de “alinhamentos políticos” com o governo do estado.
Inicialmente, o RioPrevidência aplicou cerca de R$ 970 milhões em letras financeiras do Banco Master. Posteriormente, houve uma migração desses investimentos para fundos ligados à instituição, elevando o montante total para aproximadamente R$ 3 bilhões. Em sua defesa, os investigados refutam as acusações, alegando que todas as operações seguiram estritamente critérios técnicos e legais.
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