IMPEDIMENTO TÉCNICO
Oposição insiste em impedimento para travar nova indicação de Messias ao STF
Senadores da oposição argumentam que ato da Mesa do Senado, de 2010, proíbe nova votação do nome de Jorge Messias no mesmo ano de rejeição. A decisão, caso confirmada, só poderia ocorrer em 2027.
Senadores da oposição prometem reforçar a tese de que existe um impedimento técnico para que uma nova votação para a vaga de Jorge Messias no STF (Supremo Tribunal Federal) ocorra ainda neste ano. A intenção é barrar a repetição do processo que culminou na rejeição do advogado-geral da União pela Casa Alta.
A confirmação da intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de enviar novamente a indicação ao Senado ocorreu na sexta-feira (29), após o anúncio de investimentos da Petrobras em Sergipe. Messias, que teve o nome rejeitado por 42 votos a 34 no plenário, protagonizou a primeira recusa de um indicado à Suprema Corte em mais de 130 anos.
“Ele [Messias] foi derrotado por uma questão simplesmente política. E o que vai acontecer, senadores? Eu vou mandar o Messias outra vez", declarou Lula, visivelmente contrariado com o resultado.
Apesar da prerrogativa constitucional do chefe do Executivo de reenviar nomes para apreciação do Senado, a oposição alega que um ato da Mesa do Senado, datado de 2010, impede a votação de um candidato já negado pela Casa no mesmo ano. Segundo esse entendimento, a análise da indicação só poderia ocorrer em fevereiro de 2027, quando o Congresso Nacional retoma os trabalhos, após nova composição oriunda das eleições.
Para viabilizar a votação ainda em 2026, seria necessária a alteração ou anulação do ato de 2010. A oposição planeja, contudo, disseminar essa limitação regimental nas redes sociais, buscando apoio público para a argumentação e aumentando a pressão sobre o governo.
Mesmo sem o entrave técnico, a avaliação de lideranças da oposição é que o ambiente político permanece adverso para a aprovação de Messias. Desde a derrota histórica de abril, a relação entre Senado e Executivo encontra-se sob forte tensão.
Há a percepção de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), poderá utilizar o pouco tempo disponível no primeiro semestre como justificativa para adiar a votação para o ano seguinte. O recesso parlamentar inicia-se em 18 de julho, e o segundo semestre é historicamente dedicado às campanhas eleitorais. Somado a isso, o esforço concentrado na votação de temas cruciais, como a PEC do fim da 6x1, deixariam o calendário apertado, reforçando a perspectiva de que a indicação, se confirmada, não avançaria em 2026.
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