EMENDAS PARLAMENTARES EM RISCO

Oposição acusa Governo do RN de descumprir acordo sobre emendas parlamentares

Deputados estaduais em plenário
Oposição acusa Governo do RN de não cumprir acordo sobre emendas

Deputados apontam que acordo para liberação de R$ 1,4 milhão por parlamentar não foi cumprido integralmente antes das restrições eleitorais. Governo nega discriminação política.

Deputados estaduais de oposição acusam o Governo do Estado de não ter cumprido um acordo sobre a liberação de emendas parlamentares. O compromisso, firmado em maio, previa o pagamento de R$ 1,4 milhão em emendas por deputado até o fim de junho, mas, segundo integrantes da Casa, não foi integralmente honrado. Nesta quarta-feira, 08/07/2026, parlamentares oposicionistas usaram a tribuna para acusar a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) de reter recursos e, em alguns casos, de praticar discriminação política na escolha das emendas a serem pagas.

Cada deputado estadual indicou cerca de R$ 4,4 milhões no Orçamento deste ano, somados a cerca de R$ 800 mil em pendências de 2025 por parlamentar. No fim de maio, o governo justificou o atraso alegando falta de documentação para a liberação de grande parte das emendas. O entendimento posterior estabeleceu o pagamento de R$ 1,4 milhão até o fim de junho, data limite antes das proibições impostas pelo calendário eleitoral.

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Nos últimos dias, governo e deputados correram contra o tempo para liberar o máximo de verbas possível, pois transferências voluntárias são proibidas nos três meses anteriores às eleições. O deputado José Dias (PL) foi um dos mais vocais, afirmando que, após consultar o sistema de acompanhamento, não encontrou a liberação dos recursos de sua autoria. Ele relatou apenas uma despesa de R$ 100 mil liquidada, mas ainda não efetivada, e acusou o Executivo de tratamento desigual. "Nem os interessados foram informados. No sistema, não tem liberação de emendas de minha autoria", declarou.

José Dias classificou a retenção como "infâmia", ressaltando que ela afeta não apenas seu mandato, mas as comunidades e instituições que necessitam dos recursos, muitos deles destinados à saúde. "Há um tratamento realmente discriminatório contra aqueles que votaram em mim, contra aqueles que necessitam da minha ação e do meu apoio", afirmou.

Documentação

Em resposta, o líder do governo, Francisco do PT, negou a seleção de pagamentos com base em posições políticas. Ele apresentou um relatório de emendas de José Dias ainda não pagas, citando motivos administrativos como "aguardando plano de trabalho" e "remanejamento, aguardando tramitação", ressaltando que a elaboração do plano de trabalho e o remanejamento dependem da iniciativa do próprio deputado. "Não é Fátima que faz o plano de trabalho para pagar a emenda de deputado, não, José Dias. Não é o governo que faz o plano de trabalho. Outra aqui, ‘remanejamento, aguardando tramitação’. Quando uma emenda é remanejada, é o deputado que faz", disse.

Desde 2025, a execução de emendas em todo o País tornou-se mais rígida após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir transparência e rastreabilidade. No Rio Grande do Norte, as regras foram detalhadas na Resolução nº 034/2025 do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Francisco sustentou que os gabinetes parlamentares devem acompanhar a tramitação e verificar o cumprimento dos requisitos. Para refutar a tese de perseguição, afirmou que alguns parlamentares da oposição tiveram mais emendas pagas do que membros da base governista.

"Alguns estão satisfeitos, outros não estão com o pagamento de suas emendas. Faz parte do processo. Agora, eu afirmo aqui: não há discriminação", declarou. "Aqui tem deputado da oposição que pagou mais emendas do que deputado do governo. Então, não há discriminação", acrescentou.

O líder governista reconheceu a insatisfação na Assembleia, mas defendeu a análise individual de cada caso. "Sugiro que cada emenda dessas seja observada para saber os reais motivos por que elas não foram pagas", afirmou. Segundo Francisco, a existência de deputados governistas também insatisfeitos com a liberação de recursos indicaria que o problema não se limita à divisão entre situação e oposição.

Pendências

O deputado Hermano Morais (MDB), pré-candidato a vice-governador, também manifestou insatisfação, afirmando que o compromisso de liberar R$ 1,4 milhão por deputado não foi cumprido integralmente dentro do prazo eleitoral. "Alguns foram atendidos, outros não", disse. Hermano, que foi contemplado apenas parcialmente, defendeu que o governo busque alternativas para atender emendas com documentação regular, especialmente aquelas destinadas a entidades que não esbarram nas restrições eleitorais para municípios. "Eu lamento que seja assim, porque o que é acordado não fica caro nem barato, é só colocar no planejamento e cumprir", declarou.

O parlamentar apelou ao líder do governo para que o Executivo examine as indicações ainda passíveis de pagamento. Entre os casos citados por Hermano, está uma emenda de R$ 80 mil destinada à recuperação da torre da Igreja do Galo, no Convento de Santo Antônio, em Natal, indicada desde o ano passado. "Eu espero que, nos próximos dias, seja reparada essa situação, até porque se trata de um patrimônio histórico que precisa ser devidamente preservado", acrescentou.

José Dias voltou a contestar a explicação do líder do governo, negando que suas emendas tenham deixado de ser pagas por falhas de tramitação. "As emendas da minha autoria, na sua maioria, cumpriram com a tramitação, mesmo o governo oferecendo toda espécie de dificuldade, toda espécie de obstáculo", declarou. O deputado do PL insistiu que os recursos foram bloqueados por decisão política para "perseguir um deputado" e "penalizar o povo do Rio Grande do Norte."

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