CRIME E LAVAGEM

Operação Rota do Fim desarticula grupo que usava setor bovino para tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

Agentes cumprem mandados em operação contra o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Agentes cumprem mandados em operação contra o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Investigação aponta movimentação de R$ 200 milhões em recursos ilícitos. Grupo atuava em parceria com facção do Rio e infiltrava-se na cadeia da carne bovina.

Nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026, a Receita Federal e a Polícia Federal deflagraram a operação Rota do Fim. A ação visa desarticular uma organização criminosa suspeita de se infiltrar na cadeia produtiva da carne bovina no Acre. O objetivo do grupo seria utilizar o setor para transportar drogas e lavar dinheiro proveniente de atividades ilícitas.

Segundo os investigadores, a organização criminosa teria ligação com uma facção atuante no Rio de Janeiro e movimentado aproximadamente R$ 200 milhões em recursos ilícitos. A operação cumpre 7 mandados de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão em seis estados: Acre, Rondônia, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Mato Grosso. A Vara de Delitos de Organizações Criminosas de Rio Branco determinou o bloqueio de 25 imóveis, 25 veículos, valores financeiros e rebanhos bovinos ligados aos investigados.

Agentes cumprem mandados em operação contra o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Agentes cumprem mandados em operação contra o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

As investigações tiveram início após a apreensão de 469 kg de cocaína e 160 g de maconha em Poconé, Mato Grosso. As drogas foram encontradas escondidas em uma carga de farinha de ossos e biscoitos que partiu de Rio Branco, no Acre, com destino ao Rio Grande do Norte. Essa descoberta evidenciou a forma como o grupo utilizava o transporte de mercadorias para suas atividades criminosas.

De acordo com a Receita Federal, o grupo criminoso se infiltrou em diversas etapas da cadeia produtiva da carne bovina. Essa infiltração incluía fornecedores de gado, frigoríficos, distribuidoras, comerciantes de subprodutos e até mesmo empresas especializadas em leilões de gado. Essa estratégia permitiu que as atividades lícitas do setor fossem utilizadas para disfarçar o transporte de entorpecentes e a ocultação de recursos obtidos com o tráfico.

A apuração também identificou o uso de contas bancárias de terceiros, postos de combustíveis e empresas de fachada como mecanismos para movimentar os recursos financeiros gerados pelas atividades ilícitas. Essa rede complexa visava dificultar o rastreamento do dinheiro e a responsabilização dos envolvidos.

Indícios de simulação e blindagem patrimonial

A Receita Federal declarou ter identificado fortes indícios de simulação de atividade rural. Além disso, foi apontada uma distribuição possivelmente fictícia de lucros e dividendos, utilizada para justificar parte da movimentação financeira do grupo. O órgão também sinalizou o uso de blindagem patrimonial, interpostas pessoas e técnicas de lavagem de dinheiro para proteger os bens adquiridos com atividades ilegais.

Em nota oficial, a Receita Federal ressaltou que a operação "reforça o compromisso institucional do órgão no combate a organizações criminosas que usam setores formais da economia para ocultar atividades ilegais". A declaração enfatizou ainda a atuação conjunta com órgãos de investigação para combater crimes fiscais e lavagem de capitais, protegendo a integridade do sistema financeiro e a dignidade da sociedade.

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