COMBATE À CORRUPÇÃO
Operação investiga desvio de R$ 37 milhões em contratos da saúde no Estado e Natal
Esquema usava empresas de fachada e falsificação de laudos para sangrar cofres públicos destinados ao atendimento domiciliar.
Uma força-tarefa desarticulou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que resultou no desvio de mais de R$ 37 milhões dos cofres públicos do Estado e do Município de Natal. A ação foi deflagrada na quinta-feira (27/08) pelo Ministério Público (MPRN), com o objetivo de estancar uma sangria de recursos originalmente destinados à assistência domiciliar, o chamado home care.
Batizada de Oxigênio Financeiro, a operação revelou que o montante desviado financiava uma vida de luxo e a expansão patrimonial dos investigados, que utilizavam nomes de terceiros para ocultar a origem ilícita dos valores. Em vez de salvar vidas, o dinheiro público era convertido em ativos como uma cafeteria, um salão de beleza, uma clínica popular e empresas de blindagem patrimonial.
A investigação aponta que o grupo criminoso operava por meio de falsidade ideológica e fraudes em licitações. O método envolvia a apresentação de laudos médicos superdimensionados para forçar decisões judiciais de urgência, além de orçamentos simulados entre empresas vinculadas ao mesmo núcleo familiar. Para conferir aparência de legalidade, utilizavam pessoas em situação de vulnerabilidade, como uma manicure e uma empregada doméstica, como laranjas no quadro societário das empresas de fachada.
O impacto da fraude atingia diretamente os profissionais de saúde. Uma cooperativa de trabalho, usada como departamento pessoal clandestino, centralizava as contratações e permitia o descumprimento do piso salarial da enfermagem, além da supressão sistemática de direitos trabalhistas básicos.
A operação é um desdobramento da Curari Domi, investigação iniciada após o MPRN detectar um aumento atípico e suspeito na judicialização de serviços de saúde. Durante o cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão, que mobilizaram promotores, servidores e policiais militares, foram recolhidos documentos, dinheiro em espécie, joias e dispositivos eletrônicos. O material apreendido passa agora por perícia, enquanto o Ministério Público prossegue com as diligências para identificar outros beneficiários da estrutura criminosa.
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