PATRIMÔNIO EM RISCO
Natal falha na preservação do patrimônio histórico, aponta análise
A cidade de Natal é criticada pela falta de cuidado com seus bens históricos, apesar de contar com historiadores renomados e exemplos de preservação.
{ "blocks": [ { "type": "paragraph", "data": { "text": "Apesar de contar com historiadores renomados, a cidade de Natal tem falhado em estabelecer um padrão consistente de valorização de seu patrimônio histórico. A crítica surge da análise sobre a gestão de bens que contam a própria história da cidade, evidenciando uma precariedade que ignora bons exemplos de preservação históricos." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Um caso notório ocorreu quando o então prefeito Agnelo Alves construiu a passarela de acesso à Fortaleza. A obra foi condicionada pelo consultor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Lúcio Costa, a não se chocar contra o paredão da Fortaleza, mantendo o monumento isolado em sua configuração colonial. A finalização em madeira visava impedir que o concreto tocasse a alvenaria original, como explicou Oswaldo de Souza, em uma iniciativa que buscava preservar os materiais históricos, incluindo pedra, cal e óleo de baleia." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Hélio Galvão, autor de uma obra aprofundada sobre a Fortaleza da Barra do Rio Grande, resgatou a designação histórica correta para o local, enfatizando que é uma Fortaleza, e não um simples Forte ou Fortim, sendo uma das mais bem preservadas construções coloniais. O acesso atual, considerado perfeito, foi implementado na gestão de Valério Mesquita, então presidente da Fundação José Augusto, garantindo a segurança do movimento das marés." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "A concepção original do Instituto do Patrimônio Histórico, idealizada por Mário de Andrade e solicitada por Rodrigo de Melo Franco, buscava a preservação da 'solidão monumental' dos sítios históricos. A ideia era que construções futuras não alterassem a paisagem original do período histórico de cada local." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Contudo, mesmo o tombamento da Rampa não preservou o princípio da solidão monumental. A não inclusão da área adjacente ao ‘Museu da Rampa’ permitiu a construção da sede do III Distrito Naval pela Marinha, com a anuência de instituições culturais como o Instituto Histórico e a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. A decisão gerou protestos, com registros de concordâncias formais." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Um exemplo mais recente de desarmonia com o patrimônio é o novo Mercado da Redinha. O projeto adotou uma monumentalidade modernosa, sem dialogar com a tradicional arquitetura praieira de alpendres de quatro águas, característica de vilas de pescadores em um clima tropical. A construção se ergue sem conexão com a tradição local e a paisagem, demonstrando uma persistente insensibilidade." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "O Instituto Histórico, em 11 de junho, retomará a Quinta Cultural com a palestra ‘Além das Ruínas de Extremoz: o povo, a fé, o poder e a luta na primeira vila do RN’. O evento abordará a história e a importância cultural da região." } } ] }
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