BET EM INVESTIGAÇÃO

MP do DF investiga estratégia da Blaze com influenciadores durante a Copa do Mundo

Virgínia na CPI das Bets
Virgínia durante depoimento na CPI das Bets em 2025.

Ministério Público aponta conduta coordenada para induzir apostas e pede indenização de R$ 120 milhões; influenciadora Virgínia é alvo da ação.

O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) iniciou uma ação judicial para questionar práticas publicitárias envolvendo apostas online durante a Copa do Mundo de 2026. A decisão, que busca coibir estratégias consideradas abusivas, baseia-se na análise de conteúdos digitais que incentivam o público ao consumo impulsivo, utilizando a influência de personalidades da internet para promover plataformas de jogos.

O foco do órgão recai sobre um vídeo publicado pela influenciadora Virgínia no Instagram, em 03 de julho de 2026. Na ocasião, a criadora de conteúdo incentivou seus seguidores a apostarem na vitória de Cabo Verde contra a Argentina na plataforma Blaze, mencionando a confiança no goleiro Vozinha. Para o MP, a ação não foi um caso isolado, mas parte de um modelo sistemático de captação de clientes que explora a carga emocional do torneio esportivo.

O Ministério Público argumenta que a ausência de sinalização clara de publicidade e o uso de uma linguagem que romantiza o ganho financeiro induzem seguidores a erro. A entidade destaca que o público alvo dessas campanhas frequentemente inclui indivíduos em situação de vulnerabilidade econômica, atraídos pela falsa promessa de renda extra.

Em tutela de urgência, a ação solicita a remoção de conteúdos que prometam lucros irreais ou estimulem apostas sem transparência. O processo soma-se a um histórico de preocupações do órgão, que já acumulava denúncias sobre retenção de valores e bloqueio de contas de usuários na plataforma. O MPDFT pleiteia uma indenização por danos morais coletivos fixada em, no mínimo, R$ 120 milhões.

A empresa Foggo Entertainment Ltda, responsável pela marca Blaze, afirmou por meio de nota que não foi formalmente intimada até o momento. A companhia assegurou estar comprometida com a transparência e com as diretrizes de Jogo Responsável, prometendo prestar todos os esclarecimentos necessários às autoridades competentes assim que for notificada.

O debate ganha força após a participação de Virgínia na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, realizada no Senado Federal em maio de 2025. À época, a influenciadora negou irregularidades em seus contratos e reforçou que sempre alertou sobre os riscos envolvidos nas apostas, embora a persistência de ações publicitárias sem identificação clara continue a ser o ponto central da disputa jurídica atual.

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