POLÍCIA EM CAMPANHA?

MP apura neutralidade política nas polícias do RN para eleições de 2026

Fachada da sede do Ministério Público do Rio Grande do Norte.
Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN).

Procedimento investiga se forças de segurança do Rio Grande do Norte asseguraram imparcialidade em diligências que envolveram vereadores pré-candidatos. Prazo de 10 dias para polícias informarem medidas.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) iniciou um procedimento para verificar as medidas adotadas pelas forças policiais do Estado na garantia da neutralidade política de suas atividades durante o período eleitoral de 2026. A decisão, divulgada nesta terça-feira, 2 de junho de 2026, surge após a observação de episódios que podem comprometer a imparcialidade das corporações.

O MPRN destacou dois incidentes recentes envolvendo vereadores: Robson Carvalho, de Natal, e Cabo Deyvison, de Mossoró. Em ambos os casos, o MP aponta que os parlamentares participaram de diligências policiais e utilizaram as ações para fins de propaganda eleitoral, levantando preocupações sobre a instrumentalização do aparato estatal.

A investigação não visa os vereadores em si, mas sim as condutas das instituições de segurança. O promotor Wendell Beetoven Agra enfatizou que as polícias devem operar como órgãos de Estado, desprovidos de preferências político-partidárias ou ideológicas. A utilização do aparato policial para promover ou prejudicar grupos políticos compromete a dignidade da função pública e a confiança da sociedade nas instituições.

Um dos episódios citados ocorreu em Natal, no dia 21 de maio de 2026. O vereador Robson Carvalho acompanhou e filmou uma ação policial que resultou na prisão em flagrante de uma mulher suspeita de maus-tratos a animais. As imagens foram posteriormente divulgadas nas redes sociais do parlamentar, que já manifestou intenção de concorrer nas eleições deste ano e tem a causa animal como uma de suas bandeiras.

O segundo caso relatado aconteceu em Mossoró, em 28 de maio de 2026. De acordo com o MP, o vereador Cabo Deyvison participou de uma ocorrência da Polícia Militar que culminou na prisão de três homens sob suspeita de organização criminosa e posse ilegal de armas. O parlamentar divulgou vídeos, portando colete balístico, e declarou ter auxiliado na operação, apresentando-se como pré-candidato.

Em resposta, as Polícias Militar e Civil do RN informaram que não se pronunciarão sobre o assunto no momento.

O que o MP apura

O MPRN concedeu um prazo de dez dias para que as corregedorias da Polícia Civil, da Polícia Científica e da Polícia Militar apresentem quais providências foram tomadas em relação aos agentes envolvidos nos episódios mencionados. Adicionalmente, foram solicitadas informações aos comandos da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica e Polícia Penal sobre ações implementadas para prevenir o uso indevido da imagem institucional das corporações durante o período eleitoral.

Versões dos envolvidos

O vereador Robson Carvalho, por meio de nota, declarou que a ação em questão tratou de proteção animal e que não foi formalmente notificado pelo MPRN, tendo tomado conhecimento da investigação pela imprensa. Ele argumentou que sua participação ocorreu no exercício do mandato, com caráter de segurança para a equipe, e que a interpretação de propaganda eleitoral é equivocada, pois ele estava trabalhando, não em campanha.

Já o vereador Cabo Deyvison afirmou que sua participação na operação policial se limitou ao repasse de informações recebidas de moradores e comerciantes aos policiais militares antes da ação. Ele negou ter participado da execução da operação, acompanhado diligências, entrado em imóveis ou estado presente nos locais das prisões. Os vídeos divulgados em suas redes sociais, segundo ele, registraram apenas a entrega das informações à polícia, ressaltando que a colaboração com as forças de segurança é um dever cívico e exercício do mandato popular, não configuração de intromissão em operação policial.

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