BRASIL REVOLUCIONA PAGAMENTOS
Lula defende Pix e afirma que sistema brasileiro assusta norte-americanos
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou relatório do USTR e destacou vantagens do sistema público e gratuito do Brasil, que ameaça concorrentes dos EUA. Prazo para manifestação sobre "medidas corretivas" é 15 de julho.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quarta-feira, 03/06/2026, o sistema de pagamento instantâneo Pix, declarando que a tecnologia nacional é mais vantajosa que os sistemas oferecidos por empresas estadunidenses. A declaração ocorreu durante um evento em Catalão (GO), onde o chefe do Executivo ressaltou as superioridades da inovação brasileira e expressou o descontentamento do país em ser tratado de forma subalterna. Lula comparou o Pix a sistemas internacionais, argumentando que o modelo brasileiro causa receio em grandes corporações de pagamento eletrônico.
A manifestação presidencial surge em resposta a um relatório divulgado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na noite de segunda-feira, 1º de junho. O órgão criticou o Pix, alegando que o sistema, desenvolvido pelo Banco Central, prejudica "injustamente" empresas como MasterCard, Visa e Whatsapp Pay. O Pix, com sua infraestrutura pública e gratuita, tem superado em volume de transações as bandeiras de cartões de crédito tradicionais.
"O Pix assusta eles", afirmou Lula, compartilhando uma conversa em que sugeriu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a adoção do mesmo sistema em território norte-americano. Ele detalhou a preocupação dos americanos com o potencial do Pix de impactar significativamente as empresas de cartão de crédito com atuação no Brasil, reiterando que a gratuidade e o caráter público do sistema o tornam uma solução eficiente.
O relatório do USTR, resultado de uma investigação iniciada há um ano durante o governo de Donald Trump, aponta supostas "práticas desleais" do Brasil no comércio com os EUA e sugere a imposição de taxação de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. O governo brasileiro e empresas potencialmente prejudicadas têm até 15 de julho para apresentar suas manifestações, antes que os EUA decidam sobre a adoção de "medidas corretivas".
Lula considera a ação dos estadunidenses precipitada, especialmente em virtude de negociações em andamento. Ele recordou um acordo firmado com Donald Trump em maio, que estabeleceu um prazo de 30 dias para a busca de um consenso sobre questões comerciais. Durante um encontro na Casa Branca, o presidente brasileiro apresentou documentos que comprovavam um superávit comercial favorável aos EUA, totalizando US$ 415 bilhões nos últimos 15 anos.
O presidente também expressou expectativa por um contato de Donald Trump para que este justifique as recomendações do USTR. Lula destacou a pendência de uma reunião entre ambos, conforme o acordo anterior, para esclarecer os desdobramentos que ocorreram em sua ausência e na de Trump, enfatizando que o acordo comercial não deveria prosseguir sem a anuência deste último.
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